Cultura
Publicado em 30/08/2026, às 11h47 BNews Cauan Borges e Mariana Bamberg
A cantora baiana de samba-reggae Márcia Short fez duras críticas aos defensores da manutenção da escala de trabalho 6x1 durante a mobilização pelo fim do modelo, realizada neste domingo (30), no Morro do Cristo, no bairro da Barra, em Salvador.
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Em entrevista ao BNews, artista afirmou que a defesa de jornadas que deixam pouco tempo para descanso e convivência familiar representa uma visão contrária aos avanços sociais. Além disso, Márcia também destacou o papel dos artistas e da cultura na mobilização popular.
A cultura, a música, sobretudo, estão como 'mola mestra' de vários movimentos. Eu acho que a aproxima o povo das causas, faz com que as pessoas assimilem melhor. Então, acho fundamental que nós estejamos juntos contra a escala 6x1”, iniciou Márcia
Segundo a cantora, a música consegue aproximar a população de diferentes causas e facilitar a compreensão sobre pautas sociais. A Short também relatou a realidade vivenciada por famílias periféricas, nas quais, de acordo com a cantora, a rotina de trabalho pode dificultar o convívio entre pais e filhos.
A maioria de nós aqui somos de famílias periféricas, a gente sabe muito bem o que é não ver pai, não ver mãe, não ter tempo para cuidar de filho, não ter tempo para viver. Trabalhar é importante, mas viver também é fundamental. Estou muito feliz e orgulhosa de poder engrossar esse coro, fazer parte desse fortalecimento, que esse movimento é de fundamental importância para o nosso povo”, iniciou Márcia Short.
Questionada sobre os argumentos de que o fim da escala 6x1 poderia prejudicar a economia, Márcia afirmou que a resistência a mudanças nas relações de trabalho é histórica, e comparou com a luta feminista e a abolição da escravidão. Na sequência, a artista defendeu que trabalhadores com mais tempo para descansar e conviver com a família podem apresentar melhor desempenho profissional.
Aquele pessoal que vai contra é a mesma ala que foi contra a emancipação feminina, que foi contra o salário mínimo, que foi contra a abolição dos escravizados. Então, vai ter sempre essas oposições, mas a gente está aqui para mostrar o que é de verdade. O que é verdade é que trabalhar é preciso, mas o descanso também é produção. Você receber um colaborador descansado, de bem com a vida, constraternizado com a sua família, com certeza isso só vai aumentar a produtividade e rendimento. Eu acho que os escravistas eram crias, e essas pessoas são crias deles”, completou Márcia Short.
A manifestação em Salvador foi convocada pela cantora e ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, que chamou artistas, grupos culturais e trabalhadores da Bahia para participarem do ato.
Margareth também marcou presença no protesto, que faz parte de uma articulação nacional pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
Além de Márcia Short, participam da mobilização nomes como Manno Góes, Jackson Costa, Magary Lord, Ana Barroso e Edu Casanova, além do grupo Olodum. Márcia é uma das precursoras da axé music no Carnaval da Bahia. Ao longo da carreira, a cantora também se destacou por trabalhos ligados ao samba-reggae e à MPB.
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