Economia & Mercado

Aumento do preço do almoço fora de casa supera alta do salário mínimo nos últimos cinco anos, revela pesquisa

Saiba posição do Nordeste na pesquisa que avaliou mais de quatro mil restaurantes do país  |  Divulgação / GOVBA

Publicado em 21/08/2024, às 08h40 - Atualizado às 08h42   Divulgação / GOVBA   Verônica Macedo

Enquanto o valor médio da refeição completa cresceu 49% desde 2019, o salário do brasileiro teve um incremento de 41% no mesmo período; quem não recebe vale-refeição precisaria desembolsar R$ 1.032,23 por mês para garantir o almoço de segunda à sexta, durante quatro semanas, o que corresponde a 73% do salário mínimo.

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Essa é a constatação da pesquisa + Valor, feita pela Ticket, marca da Edenred Brasil de Benefícios e Engajamento, em mais de 4,5 mil restaurantes em todo o território nacional. O levantamento revelou que o aumento do preço médio da refeição completa nos últimos cinco anos foi superior ao do salário mínimo.

De acordo com o estudo, o valor médio de uma refeição com prato principal, bebida, sobremesa e cafezinho em 2019 era de R$ 34,62, enquanto este ano está custando, em média, R$ 51,61, o que representa um aumento de 49%. Já o salário mínimo, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que era de R$ 998 cinco anos atrás, hoje está em R$ 1.412, ou seja, um crescimento de 41%. 

Isso significa que quem recebe cinco salários mínimos tem cerca de 15% de sua renda comprometida com as refeições de almoço e quem recebe três salários mínimos tem em média 24% de comprometimento. Já para quem tem uma remuneração de um salário mínimo, 73% da renda fica comprometida.  

“O preço da alimentação fora de casa não acompanha o salário, evidenciando o esforço que os trabalhadores precisam fazer para garantir as refeições nos dias trabalhados. Esse cenário também reforça a importância do benefício de refeição oferecido pelas empresas como garantia de acesso a uma refeição completa e de qualidade, que é fundamental para a produtividade e o bem-estar das pessoas”, comenta Natália Ghiotto, Diretora de Produtos da Ticket.

Ainda de acordo com a pesquisa, uma pessoa que não recebe vale-refeição precisaria desembolsar R$ 1.032,23 por mês para garantir o almoço de segunda a sexta – considerando que o mês possui, em média, quatro semanas. “Isso corresponde a 73% do salário mínimo. Se somarmos o preço médio da cesta básica, que segundo o DIEESE é de R$ 709,28, essa conta sobe para R$ 1.741,51, ou seja, 123% do valor do salário”, revela Natália. “Com a pesquisa + Valor, nosso objetivo é apresentar às empresas um panorama do setor de alimentação, auxiliando em suas estratégias quanto ao valor do benefício concedido às pessoas colaboradoras”, completa Natália.

Na análise regional, o Sudeste é o local em que cinco refeições no horário do almoço por semana mais pesam no bolso do trabalhador, onerando 77% do salário mínimo; o Nordeste representa 70% do comprometimento do salário mínimo do trabalhador na pesquisa, com uma média de refeição completa em torno de R$ 50, enquanto o Norte e o Centro-oeste dividiram a última posição, com 64% do valor total do salário.

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