Economia & Mercado
Publicado em 31/10/2026, às 13h45 - Atualizado às 14h10 Reprodução/Redes sociais Antonio Dilson Neto
A Chilli Beans entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 340 milhões em dívidas financeiras. A proposta foi negociada com os principais credores da rede de óculos e relógios e prevê a revisão dos prazos e das condições de pagamento dos compromissos com instituições financeiras.
O plano também inclui um aporte de até R$ 50 milhões para financiar a reestruturação da companhia.
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Itaú, Akron e Vega participam da operação como financiadores âncoras e coordenam a injeção dos recursos. As dívidas com fornecedores, funcionários e outros parceiros comerciais não fazem parte do acordo.
A empresa não informou quais fatores levaram ao endividamento. Em comunicado, o fundador e CEO da Chilli Beans, Caito Maia, reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo negócio e afirmou que a companhia pretende sair fortalecida do processo.
Passamos por um momento difícil, mas saímos ainda mais fortes e conscientes do que representamos para milhares de consumidores e centenas de parceiros”, declarou.
Segundo Felipe Casotti, sócio da Akron Capital, a renegociação busca adequar a estrutura de capital da Chilli Beans à atual realidade financeira do negócio. A intenção, de acordo com ele, é permitir que a empresa concentre esforços na operação e fortaleça o relacionamento com franqueados e fornecedores.
Apesar do processo de reestruturação financeira, a rede mantém cerca de 900 franquias no Brasil e operações em mais de 14 países. Em outubro, a companhia abriu nove pontos de venda no mercado brasileiro e outras quatro unidades na América do Sul, conforme informou no comunicado.
O advogadoAlberto Carvalho, sócio da PPF Advocacia, explica que a recuperação judicial é um instrumento legal que permite a uma empresa em dificuldade financeira negociar, sob supervisão da Justiça, uma forma de quitar suas dívidas sem precisar encerrar as atividades — o que aconteceria em caso de falência.
Quando uma empresa se encontra numa dificuldade financeira de grandes proporções, ela apresenta à Justiçaum Plano de Recuperação, que é uma proposta de como ela vai quitar o que deve, quem são os credores e de quantas parcelas ela precisa para quitar cada uma das dívidas", explica Carvalho.
Esse plano pode seguir dois caminhos. Em alguns casos, ele é submetido diretamente aos credores, que se reúnem em assembleia para aprová-lo ou rejeitá-lo. Em outros geralmente quando a empresa é muito grande e tem múltiplos credores, o próprio juiz pode aprovar ou homologar a proposta.
Se for homologado e aprovado esse plano de recuperação judicial, a empresa vai seguir operando normalmente sob a fiscalização do juiz até que todo esse passivo regularize a situação financeira e efetivamente se recuperem", detalha o advogado.
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