Economia & Mercado
Publicado em 30/05/2025, às 16h25 Divulgação / Goldman Sachs Cauan Borges
O ex-executivo do banco Goldman Sachs, Tim Leissner, foi condenado a dois anos de prisão, na última quinta-feira (29), por sua participação no escândalo financeiro que envolveu o fundo soberano da Malásia, o 1MDB – responsável pelo desvio de bilhões de dólares.
A decisão foi proferida por uma juíza federal no Brooklyn, em Nova York. Embora tenha reconhecido o envolvimento direto de Leissner no esquema, a magistrada considerou sua colaboração com as autoridades, que foi fundamental para a condenação de seu ex-colega Roger Ng.
Leissner assumiu a culpa em 2018 ao admitir que atuou em conjunto com outro funcionário do Goldman Sachs e com o empresário malaio Jho Low para corromper autoridades estrangeiras e garantir contratos vantajosos para o 1Malaysia Development Berhad (1MDB).
Ex-banqueiro do Goldman Sachs vai para a prisão por uma das maiores fraudes financeiras da históriahttps://t.co/sbCUNHR1L0
— Valor Econômico (@valoreconomico) May 30, 2025
Durante o julgamento de Roger Ng, em 2022, Leissner foi a testemunha-chave da acusação e detalhou como mais de US$ 3 bilhões foram desviados por meio de propinas e fraudes.
A juíza Margo Brodie destacou que, apesar da cooperação, os prejuízos causados por Leissner foram significativos. Ele poderia ter recebido até 25 anos de reclusão, mas cumprirá pena reduzida. O início da detenção está marcado para 15 de setembro.
Em carta encaminhada ao tribunal, Leissner pediu desculpas, declarou profundo arrependimento e afirmou que seus atos destruíram sua carreira profissional, seu casamento e o relacionamento com os filhos. O Ministério Público destacou a colaboração imediata do ex-banqueiro, afirmando que foi decisiva para a punição de Ng, que foi condenado a 10 anos de prisão.
A defesa relatou que, após auxiliar as investigações, Leissner passou a sofrer ameaças, invasões em suas propriedades e danos a seus veículos. O escândalo do 1MDB comprometeu a reputação do Goldman Sachs, que foi obrigado a pagar mais de US$ 5 bilhões em sanções e reconheceu falhas internas graves.