Economia & Mercado
Publicado em 09/07/2026, às 07h50 Antônio Cruz / Agência Brasil Yuri Pastori
A Justiça autorizou buscas contra executivos de bancos e apontou indícios de que Itaú e Santander possivelmente atuaram de forma coordenada para ocultar operações financeiras realizadas pela Americanas. As informações são do portal Uol.
A decisão da juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, permitiu a PF (Polícia Federal) cumprir a medida na 2ª fase da Operação Disclosure, no dia 25 de junho. Os bancos negam qualquer relação com a irregularidade.
O Itaú diz que "sofreu perdas bilionárias com o episódio" e que "comprovou a regularidade de sua conduta e da atuação de suas equipes por meio de farta documentação apresentada à Justiça".
O Santander "reitera que é uma das vítimas das fraudes relacionadas à Americanas" e que "o fato de a Americanas ter contratado operações bancárias reais não quer dizer que o banco ou seus executivos tenham participado das fraudes contábeis investigadas”.
Segundo a investigação, documentos foram emitidos com a finalidade de auditoria por vários bancos sem a informação de que as Americanas possuíam operações de risco sacado com aquelas instituições. O risco sacado é uma operação financeira em que um banco adianta pagamentos a fornecedores de uma empresa, e ela passa a ter uma dívida com o banco.
Segundo o MPF (Ministério Público Federal), houve "conivência e atuação decisiva dos bancos credores das empresas do grupo Americanas no processo de circularização da dívida bancária perante as auditorias", diz a decisão.
Mensagens de executivos dos bancos Itaú e Santander com o ex-diretor das Americanas Fabio Abrate, que fechou acordo de delação com o MPF, são citadas na decisão judicial.
Os diálogos sugerem um "desconforto dos representantes dos bancos em acatar a redação das cartas de circularização sem as informações verídicas sobre as operações de antecipação de recebíveis”.
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Veja a íntegra da nota do Itaú
Em relação à operação Disclosure, o Itaú Unibanco, embora não seja objeto da investigação, esclarece que colabora ativamente com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações sobre o caso Americanas. As investigações oficiais já demonstraram que a varejista foi palco de uma das maiores fraudes corporativas do País.
O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, comprovou a regularidade de sua conduta e da atuação de suas equipes por meio de farta documentação apresentada à Justiça. Os registros deixam claro que o Itaú recusou, de forma firme e independente, os pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circular circularização de balanços. Essas cartas seguiam modelos de mercado próprios da instituição, sendo documentos claramente distintos e sem nenhuma relação com os padrões de outros bancos.
Todos os documentos e comunicações que fundamentam essa lisura constam nos autos desde 2024. Eles provam o caráter regular das interações e a ausência de qualquer alinhamento, coordenação ou combinação com outras instituições financeiras para adulterar dados ou ocultar informações. Cada instituição atuou de forma isolada, e o Itaú rechaçou de pronto as investidas da varejista.
O Itaú reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando e confiando no trabalho das autoridades para a elucidação definitiva das irregularidades praticadas pela antiga administração da varejista.
Veja a íntegra da nota do Santander
O Santander reitera que é uma das vítimas das fraudes relacionadas à Americanas, que geraram prejuízo estimado em quase R$ 4 bilhões à instituição.
As alegações partem de conclusões imprecisas, feitas por uma pessoa confessadamente envolvida nos ilícitos apurados. O fato de a Americanas ter contratado operações bancárias reais, inclusive de risco sacado, não quer dizer que o banco ou seus executivos tenham participado das fraudes contábeis investigadas.
As irregularidades nasceram dentro da Americanas, a partir da manipulação de sua própria contabilidade, inclusive por meio de verbas de propaganda cooperada (VPCs) fictícias e de demonstrações financeiras cuja elaboração, classificação, aprovação e divulgação eram de responsabilidade exclusiva de seus administradores. Vale reiterar que as operações de confirming sequer estão no cerne da fraude, na verdade foram a forma encontrada para pagar os fornecedores, tendo em vista que os VPCs falsos, criados no balanço, não geravam caixa real. Ou seja, as operações existiram, os contratos eram válidos e os fornecedores foram pagos.
O banco reafirma seu compromisso institucional com a legalidade, a transparência e a mais absoluta ética empresarial, e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários à completa elucidação dos fatos.
Seus executivos também refutam qualquer participação em fraude e afirmam categoricamente que atuaram no âmbito regular de suas funções profissionais, jamais tiveram conhecimento de manipulação dos balanços da Americanas. Ambos prestarão os esclarecimentos necessários às autoridades competentes.
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