Economia & Mercado

Fraude nas Americanas: O que se sabe sobre a nova operação da PF que mira acionistas bilionários, bancos e bloqueou R$ 54 bi

Antônio Cruz/Agência Brasil
Segunda fase da Operação Disclosure mira acionistas de referência, executivos de grandes bancos e aprofunda apuração sobre supostas fraudes contábeis na Americanas que podem chegar a R$ 54 bilhões  |   Bnews - Divulgação Antônio Cruz/Agência Brasil
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 25/06/2026, às 10h46 - Atualizado às 10h52



A Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure para aprofundar as investigações sobre suspeitas de fraudes contábeis estimadas em até R$ 54 bilhões envolvendo a Americanas.

A ação mira um grupo de ex-executivos, acionistas e representantes de bancos privados, além de determinar o bloqueio de bens e valores no mesmo montante apontado pelas apurações.

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Segunda fase amplia alcance da investigação
A nova etapa da operação cumpre nove mandados de busca e apreensão entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. A ação é baseada em três delações premiadas de ex-diretores da companhia, além da quebra de sigilos da empresa e depoimentos colhidos ao longo de dois anos de investigação.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores vinculados aos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.

Quem são os alvos da operação
Entre os alvos estão nomes ligados ao controle acionário da companhia e ao sistema financeiro:

  • Carlos Alberto Sicupira, acionista de referência da Americanas
  • Paulo Alberto Lemann, ex-integrante do conselho e filho do controlador Jorge Paulo Lemann
  • Eduardo Saggioro, integrante do conselho
  • Sergio Rial, ex-CEO da Americanas e ex-presidente do Santander
  • José Rudge e Gustavo Balassiano, executivos do Itaú
  • Carlos Henrique Villela Pedras, executivo do Bradesco
  • André Almeida e Alexandre Abdo, executivos do Santander

Segundo a investigação, o grupo inclui tanto acionistas de referência quanto executivos de bancos que mantinham relação direta com as operações da companhia.

Como a fraude é descrita pela investigação
De acordo com a Polícia Federal e o MPF, os investigados tinham conhecimento de um conjunto de práticas contábeis relacionadas principalmente a operações de risco sacado e verbas de propaganda cooperada (VPC).

Esses mecanismos teriam sido registrados sem lastro econômico nos balanços da empresa, com impacto na forma como investidores avaliavam a companhia no mercado.

Segundo trecho da investigação:

“Os investigados praticaram um conjunto de manobras fraudulentas que, embora não tivessem impacto direto sobre o lucro líquido divulgado ao mercado, foram estrategicamente planejadas para manipular a percepção dos investidores e influenciar a precificação das ações da companhia. Diferentemente de outras fraudes que poderiam afetar a lucratividade da empresa, esse segundo grupo de irregularidades tinha como foco exclusivo a manipulação do mercado de capitais, alterando métricas e indicadores financeiros sem modificar o resultado final reportado.”

Delações e base da nova fase
A segunda fase da Operação Disclosure foi estruturada a partir de três delações premiadas de ex-diretores da Americanas, além de quebra de sigilo de dados da companhia e depoimentos coletados ao longo dos últimos dois anos.

Os relatos citam a existência de práticas contábeis envolvendo risco sacado e VPC que teriam sido usadas de forma irregular na estrutura financeira da empresa.

Primeira fase da operação e origem do caso
A fraude contábil da Americanas veio a público em janeiro de 2023, quando a empresa anunciou inconsistências inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões, o que levou ao pedido de recuperação judicial.

Em 2024, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Disclosure, com mandados contra ex-executivos. Em 2025, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra 13 investigados, incluindo ex-dirigentes, por crimes como manipulação de mercado e associação criminosa.

Posição da Americanas
Em nota, a Americanas afirmou que não foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta fase da operação e destacou que a investigação se refere às irregularidades contábeis reveladas em 2023.

“A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, informou a empresa.

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