Economia & Mercado

Lei de Cotas completa 35 anos, mas pessoas com deficiência ainda enfrentam barreiras nas empresas

Legislação ampliou acesso de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho, mas especialistas apontam que inclusão ainda depende de mudanças na cultura das organizações  |  Ilustrativa | Pixabay

Publicado em 23/07/2026, às 07h37 - Atualizado às 07h46   Ilustrativa | Pixabay   Redação Bnews

A Lei de Cotas (nº 8.213/1991), que completa 35 anos nesta quinta-feira (24), transformou o acesso de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho formal no Brasil.

Criada para obrigar empresas com mais de 100 empregados a contratar profissionais com deficiência, a legislação ampliou oportunidades, mas o desafio atual passou a ir além da contratação: garantir permanência, desenvolvimento profissional e ambientes livres de capacitismo.

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Segundo Beto Pereira, sociólogo e responsável por Relações Institucionais da Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, a lei teve papel fundamental para ampliar a presença de pessoas com deficiência nas empresas. Porém, o preconceito ainda interfere em decisões de contratação, promoção e crescimento dentro das organizações.

“Jovens e adultos ainda enfrentam preconceito, capacitismo e desconhecimento na busca por trabalho. Muitas vezes, a deficiência é vista antes das competências, dificultando o acesso, o desenvolvimento profissional e a permanência no mercado”, explica.

Preconceito ainda é barreira dentro das empresas
Para o especialista, a inclusão passa pela convivência diária entre equipes e pela desconstrução de ideias equivocadas sobre a capacidade profissional de pessoas com deficiência.

Também é necessário preparar gestores e recrutadores para conduzir processos seletivos mais inclusivos, evitando que limitações físicas superáveis sejam consideradas critérios para eliminar candidatos e deixando as habilidades profissionais em primeiro plano.

Outro ponto destacado é a necessidade de formação das lideranças em temas como deficiência, acessibilidade, tecnologias assistivas e combate ao capacitismo.

Processos internos, sistemas informatizados e critérios de avaliação de desempenho também precisam ser revisados para garantir igualdade de oportunidades e favorecer o desenvolvimento profissional desses trabalhadores.

Lei de Cotas segue como instrumento de inclusão
Mesmo após 35 anos, a Lei de Cotas continua sendo considerada essencial para ampliar a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Sem a legislação, a tendência seria o aumento das desigualdades sociais e econômicas, com impactos na autonomia financeira e na inclusão produtiva dessa população.

“O objetivo é que a Lei de Cotas deixe de ser necessária quando a igualdade de oportunidades for uma realidade. Até lá, a legislação deve ser acompanhada de investimentos em educação inclusiva, qualificação profissional, acessibilidade, transporte e fiscalização”, afirma Beto Pereira.

Empresas precisam garantir acessibilidade
A inclusão também depende da eliminação das barreiras previstas pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI), de 2015. A legislação estabelece que empresas promovam adaptações razoáveis e garantam acessibilidade física, comunicacional e tecnológica.

No caso de pessoas cegas e com baixa visão, as necessidades podem variar conforme cada profissional e envolver recursos de tecnologia assistiva, sinalização acessível e adequações no ambiente de trabalho.

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