Economia & Mercado
Publicado em 25/11/2025, às 09h07 - Atualizado às 09h07 Rovena Rosa/Agência Brasil Vagner Ferreira
O sócio da consultoria Troster & Associados, Roberto Luis Troster, avalia que a liquidação extrajudicial do Banco Master evidencia um modelo em que os lucros são privatizados e os prejuízos recaem sobre a sociedade.
"Não foram só os mais de R$ 40 bilhões que o FGC [Fundo Garantidor de Crédito] perdeu, há uma série de outros investidores que também perderam recursos", afirmou ele, segundo informações do g1. "Todos nós vamos pagar um pouco disso", continuou.
O caso do Banco Master se tornou o maior já enfrentado pelo FGC, órgão privado e sem fins lucrativos que funciona como uma espécie de seguro para aplicações financeiras, cobrindo até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição.
Após registrar o maior resgate em 30 anos, o FGC terá de ser reforçado por novos aportes das instituições participantes. Parte desses bancos pressiona por normas mais duras para o uso do fundo, algo que o Banco Central avalia com cuidado por poder afastar investidores de instituições menores. Os maiores financiadores do FGC são Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander.
Especialistas apontam falhas claras na supervisão do sistema financeiro, que permitiu que o Banco Master avançasse rumo ao colapso sem uma ação mais precoce. Eles reconhecem que os mecanismos regulatórios acabaram atuando, mas somente quando a situação já estava crítica.
O banco cresceu de forma acelerada, atraindo investidores com CDBs que pagavam rendimentos muito acima do mercado, chegando a 160% do CDI. Ao mesmo tempo, aplicava grande parte dos recursos em ativos de baixa liquidez e alto risco, como empresas em dificuldades financeiras e precatórios, cujos pagamentos podem levar anos.
Segundo a reportagem, em maio deste ano o FGC precisou conceder um empréstimo emergencial de R$ 4 bilhões ao Master, um sinal claro de que o banco enfrentava falta de caixa. O balanço de 2024 já revelava desequilíbrios: a carteira de crédito representava apenas 20% do total e os ativos praticamente dobraram em um ano, saltando de R$ 36 bilhões para R$ 63 bilhões, um ritmo de expansão considerado anormal.
Banco de Brasília e Master fecharam acordo milionário com lanchonete investigada por golpe; valor impressiona
Técnicos do Banco Central sofreram pressão política para tentar salvar o banco Master; entenda