Economia & Mercado
Publicado em 11/09/2026, às 15h32 - Atualizado às 15h58 Reprodução/Redes sociais/Unsplash Antonio Dilson Neto
A Nissan anunciou um amplo plano de reestruturação global que prevê o corte de 20 mil postos de trabalho e o fechamento de sete fábricas. A montadora japonesa pretende reduzir em 500 bilhões de ienes, cerca de R$ 18 bilhões, os custos da operação até o ano fiscal de 2026.
A medida foi apresentada após a empresa registrar prejuízo líquido de 670,9 bilhões de ienes, aproximadamente R$ 24 bilhões, no ano fiscal encerrado em março.
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O programa representa uma redução de cerca de 15% da força de trabalho mundial da Nissan até março de 2028. Dos 20 mil desligamentos previstos, 9 mil já haviam sido anunciados anteriormente. Os outros 11 mil fazem parte da nova etapa do plano.
A reestruturação também prevê a redução da estrutura industrial da Nissan de 17 para dez unidades produtivas. A empresa confirmou que algumas das fábricas fechadas estarão no Japão, mas ainda não divulgou a relação completa das unidades que serão desativadas.
A fábrica da Nissan no Brasil, por enquanto, não está entre as operações afetadas pelo plano e deve continuar funcionando normalmente.
Na América Latina, a montadora também anunciou o encerramento da produção na Argentina. A fabricação será transferida para a unidade de Morelos, no México, enquanto a Nissan pretende manter uma estrutura comercial no país.
Os cortes devem atingir funcionários contratados diretamente e trabalhadores terceirizados de diferentes áreas, incluindo produção, vendas, administração, pesquisa e desenvolvimento.
A Nissan enfrenta dificuldades em mercados considerados estratégicos, principalmente China e Estados Unidos. A queda nas vendas veio acompanhada do aumento dos custos de produção e de um desempenho mais fraco na Europa.
A empresa também apontou o impacto das tarifas de importação adotadas pelos Estados Unidos e a necessidade de oferecer descontos maiores para sustentar as vendas no mercado norte-americano.
A situação da Nissan também foi agravada pelo fracasso das negociações para uma possível fusão com a Honda, negócio estimado em US$ 60 bilhões e que envolveria ainda a Mitsubishi. Com o fim das tratativas, a montadora passou por uma mudança de comando. Ivan Espinosa assumiu como CEO com a missão de conduzir a reestruturação e recuperar a rentabilidade da companhia.
Segundo Espinosa, a Nissan precisa reduzir sua dependência do volume de vendas e buscar uma operação mais eficiente diante do aumento dos custos e das incertezas no mercado.
A expectativa da companhia é voltar a registrar lucro no ano fiscal de 2026.
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