Economia & Mercado
Publicado em 08/01/2026, às 12h43 - Atualizado às 13h51 Foto / Divulgação Leonardo Oliveira
O ex-CEO da Hurb, João Ricardo Mendes, teve sua prisão decretada mais uma vez pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), na última quarta-feira (7), após o descumprimento de medidas cautelares. A decisão atende a um pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Quem é o ex-CEO
João Ricardo Mendes começou sua carreira de empreendedor aos 18 anos, com uma barraca de bebidas na Praia do Pepê, no Rio de Janeiro. No ano de 2011, ele fundou o Hotel Urbano, que foi rebatizado como Hurb, anos depois.
A empresa ficou famosa por oferecer pacotes de viagens com preços baixos, através de um sistema de “datas flexíveis”, no qual o cliente definia um período em que pretendia viajar, mas sem escolher um dia exato. A viagem, então, ocorria em um dia definido informado posteriormente pela Hurb.
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A partir da compra, a empresa buscava garimpar os dias de voo e estadia mais baratos possíveis, desta forma, muitas vezes a data da viagem só era conhecida próximo do período definido pelo cliente. Em 2023, o modelo ruiu e a empresa cancelou ou adiou indefinidamente milhares de viagens.
No mesmo período, o empresário foi acusado de ameaças e ofensas a clientes que reclamaram dos cancelamentos em grupos de WhatsApp. Ocorreu casos em que foram divulgados dados pessoais de consumidores. Com a repercussão negativa, ele renunciou ao cargo de CEO da empresa.
Em 17 de abril de 2025, o Ministério do Turismo cancelou o cadastro da empresa no Cadastur, ação que a impediu de atuar no setor. A decisão foi motivada pelas denúncias de descumprimento contratual e um grande volume de reclamações de consumidores nas esferas administrativa e judicial.
Em resposta, a Hurb divulgou uma nota alegando surpresa com a medida do Ministério do Turismo, classificando-a como "mais política do que técnica". Hoje, o site da Hurb está fora do ar.
O empresário também foi denunciado por um ex-funcionário, que o acusou de ameaças, injúria racial, humilhação e calúnia. Em um caso recente, um vídeo que circulou nas redes sociais mostrou Mendes correndo atrás do filho da atriz Luana Piovani com um lança-chamas de brinquedo. A atriz afirmou ter ficado “estarrecida” com as imagens.
Em agosto de 2025, a Justiça tinha determinado que João Ricardo se apresentasse mensalmente ao juízo, utilizasse tornozeleira eletrônica e apresentasse relatórios médicos mensais, alegando problemas de saúde mental. Ele também foi impedido de manter contato com testemunhas e obrigado a entregar o passaporte às autoridades.
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No entanto, na noite da última segunda-feira (5), o ex-CEO foi preso em flagrante no Aeroporto de Jericoacoara (CE) ao tentar embarcar para Guarulhos, na Grande São Paulo, e utiizar documentos falsos com a tornozeleira eletrônica descarregada.
A defesa de João Ricardo afirmou que ele viajou em 29 de dezembro, não ultrapassando o limite de 30 dias fora da comarca, e sustentou que o desligamento da tornozeleira não foi intencional.
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