Economia & Mercado

Tesla, Coca-Cola e Nestlé pedem aos EUA que não taxem produtos brasileiros

Coca-Cola, Nestlé e outras empresas enviam comentários ao USTR contra tarifas adicionais sobre produtos brasileiros  |  Reprodução / Magnific

Publicado em 07/07/2026, às 07h11   Reprodução / Magnific   Yuri Pastori

Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens enviaram comentários ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), no espaço aberto no âmbito da investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, pedindo que os Estados Unidos não implementem a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Conforme noticiou a Folha de S. Paulo, a apuração iniciada em julho do ano passado, concluiu que o Brasil adota práticas consideradas discriminatórias no comércio com os americanos. Por isso, o órgão recomendou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

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Audiências promovidas pelo USTR esta semana discutem o assunto. Nesta terça-feira (7), segundo dia de debates, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fará a sua apresentação.  

Outras empresas brasileiras, como WEG, Bauducco e CSN, também enviaram considerações sobre as tarifas propostas ao governo norte-americano. Entidades representativas de diversos setores, tanto do Brasil quando dos EUA, também constam na lista de comentários.

Coca-Cola

A Coca-Cola pede a manutenção da isenção para insumos de laranja e a inclusão de insumos de limão na lista de exclusão. A empresa alega que se a isenção for retirada, haverá pressão de custos e fornecimentos.

"Se não forem excluídos, tarifas adicionais poderiam aumentar os custos de produção de bebidas nos EUA e criar risco de fornecimento para um insumo qualificado existente", diz a companhia.

Nestlé

A Nestlé destaca que há certos insumos essenciais que não são produzidos ou não estão disponíveis em escala e qualidade suficientes nos EUA. Na lista de pedidos da empresa estão o café solúvel sem sabor e o colágeno bovino. A empresa pede que seja adotada a mesma abordagem do café solúvel com sabor, que já está na lista de isenções.

Sobre o colágeno bovino, a Nestlé disse que é "um insumo crítico, em alguns casos o único insumo, em certos produtos populares de saúde e bem-estar". "O Brasil é o principal exportador global, já que a estrutura da cadeia de suprimentos doméstica atualmente está muito aquém da demanda", afirma a empresa.

eBay

O marketplace eBay defendeu que a imposição de tarifas sobre o mercado de usados prejudicaria principalmente consumidores de baixa renda. A empresa pede a isenção de produtos de segunda mão, usados e seminovos qualificados.

"A isenção é consistente com os interesses de política dos EUA. Ela promove a acessibilidade para o consumidor e o crescimento das pequenas empresas, apoia a resiliência da cadeia de suprimentos dos EUA", afirma um trecho do texto.

Tesla

A Tesla pediu que o USTR leve em consideração as restrições da cadeia de suprimentos que fabricantes americanos estão enfrentando ao avaliar tarifas sobre produtos brasileiros.

A empresa cita setores como veículos elétricos, robótica, energia solar e sistemas de armazenamento de energia em baterias que estão "no meio de uma transição crítica e contínua da cadeia de suprimentos".

"Certos insumos críticos ainda não podem ser obtidos em escala nos EUA, e na qualidade necessária para sustentar uma manufatura americana competitiva sem algum acesso contínuo a cadeias de suprimentos internacionais estabelecidas", diz o documento, que cita peças e componentes entre produtos adquiridos no Brasil.

A montadora, que pediu a isenção de insumos de manufatura, ainda afirmou que a ação da Seção 301 deveria ser aumentar a competitividade americana "em vez de criar desafios não intencionais que poderiam desacelerar o progresso e afetar o posicionamento de mercado".

Faber-Castell

A Faber-Castell afirmou que o Brasil é o "principal player no mercado de lápis dos EUA, ocupando uma posição de liderança clara". Em 2025, o Brasil foi o maior exportador para os EUA, com uma participação de 30,8% em valor.

"A imposição de tarifas adicionais sobre lápis com corpo de madeira levaria a interrupções significativas na cadeia de suprimentos, aumentos substanciais de preços e danos econômicos mais amplos ao setor educacional dos EUA", afirma a companhia.

Siemens

A Siemens listou peças para turbinas a vapor, capacitores, torneiras e artigos de plásticos para que sejam isentos pelos Estados Unidos.

"Tarifas sobre importações americanas de equipamentos de energia brasileiros tornam mais caro e mais difícil para produtores de energia, concessionárias, empresas de petróleo e gás, fabricantes e data centers de IA dos EUA adquirirem a tecnologia de que precisam dentro dos prazos exigidos. Isso leva à escassez de equipamentos para empresas americanas e preços de energia mais altos para os consumidores dos EUA", disse.

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