Educação

Maioria dos professores brasileiros não sabe avaliar alunos, aponta estudo

Pesquisa de UFC e UECE aponta falhas na formação dos professores e mostra que experiência em sala não garante maior domínio sobre métodos de avaliação  |  Sala de aula - Divulgação/SEC

Publicado em 08/08/2026, às 07h34   Sala de aula - Divulgação/SEC   Eduardo Costa

Um estudo feito por pesquisadores das Universidades Federal e Estadual do Ceará (UFC e UECE), apontaram que a maioria dos professores do Brasil não sabem avaliar direito.

O levantamento realizou uma síntese de 13 estudos publicados entre 2019 e 2024 para investigar o "letramento em avaliação". Esse termo se refere ao conjunto de saberes e habilidades que permitem ao professor o uso crítico e consciente da avaliação em diversos contextos, envolvendo o domínio conceitual (definições e tipos), o conhecimento das ações para avaliar e as finalidades do processo.

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Os pesquisadores chegaram à conclusão que o professor não se vê como alguém responsável por avaliar. 

"Ele se identifica como professor, na dimensão do ensino, do domínio do conteúdo, mas raramente ele se identifica como avaliador. Embora a avaliação seja parte intrínseca da prática profissional, muitos a reduzem a uma prova que quantifica quem tirou zero ou dez", explicou o professor da rede pública de educação em Fortaleza e do Ceará, Carlos Renêe Martins Maciel, em entrevista ao Uol.

"Num curso tradicional de licenciatura, que forma professores especialistas para o ensino Fundamental ou Médio, menos de 2% do currículo se dedica ao tema da avaliação", acrescentou.

Segundo a conclusão dos estudos, os professores cometem a avaliação de "primeira geração", focando mais no julgamento de quem está aprovado ou reprovado. Nesse sentido, o docente utiliza a avaliação apenas como julgamento de valor para aprovar ou reprovar.

A pesquisa também se contrapõe a ideia que tempo de serviço reverte em experiência e mais sabedoria profissional. No tema da avaliação, a análise identificou uma correlação inversa extremamente forte entre tempo de experiência docente e letramento em avaliação.

Na prática, professores com mais idade e experiência em sala de aula tendem a ter uma formação desatualizada e uma maior resistência a novos modelos avaliativos. 

A pesquisa também critica o modelo das avaliações de larga escala como o SAEB, usado no cálculo do recém-divulgado Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). 

Para os estudiosos, as escolas erram em avaliar os alunos apenas pelo desempenho nas provas.

O estudo diz ainda que o  letramento em avaliação precisa se tornar, com urgência, uma política pública nacional.

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