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"Meu pai mandou fechar a política”: mensagem de Oruam sobre Marcinho VP acende alerta da polícia

Investigadores encontraram conversa no celular da mãe do rapper e apontam possível influência do traficante Marcinho VP em atividades políticas, mesmo após mais de 20 anos preso  |  Reprodução / Redes Sociais / Divulgação

Publicado em 29/10/2026, às 08h14   Reprodução / Redes Sociais / Divulgação   Tiago Di Araújo

Uma mensagem atribuída ao rapper Oruam e encontrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro colocou sob investigação uma possível interferência de Marcinho VP em atividades políticas. Segundo informações da coluna de Manoela Alcântara, do portal Metrópoles, o artista teria repassado à mãe uma ordem atribuída ao pai, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho (CV): “fechar a política”.

A conversa foi localizada no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper, durante uma investigação sobre a movimentação financeira da facção criminosa. Em um dos trechos obtidos pela coluna, Oruam relata o que teria ouvido do pai após visitá-lo, em março de 2025, no Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

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“Meu pai mandou fechar a política”, escreveu o rapper, conforme a reportagem.

Para os investigadores da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), a mensagem pode indicar que Marcinho VP mantém capacidade de interferir em atividades políticas em territórios sob influência do Ccomando Vermelho, apesar de estar preso há mais de duas décadas.

O relatório policial, porém, não detalha quais atividades seriam atingidas pela suposta ordem nem identifica políticos, partidos ou campanhas eleitorais que estariam envolvidos. O caso segue sob investigação.

Conversas apontam disputa entre filhos por influência do pai

Outras mensagens encontradas no celular de Márcia também chamaram a atenção dos investigadores. Em uma delas, a mãe de Oruam comenta que o outro filho, Lucas Nepomuceno, estaria utilizando a influência do pai para buscar os próprios interesses.

Na conversa, o rapper questiona como poderia fazer o mesmo, diante da percepção de que o irmão já “teria pego tudo para ele”.

A DRE interpreta o diálogo como um possível indício de disputa entre os irmãos pelo acesso aos recursos e à influência atribuídos a Marcinho VP. Para os investigadores, as conversas reforçam a suspeita de que o traficante continuaria participando da administração de interesses ligados ao Comando Vermelho mesmo encarcerado.

Investigação também rastreia dinheiro atribuído a Marcinho VP

As mensagens analisadas pela polícia também mencionam a movimentação de dinheiro que seria ligado ao traficante. Em uma conversa com a mãe, Oruam relata ter ido a um ponto de controle territorial de traficantes no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, para receber valores da chamada “caixinha” do pai.

Segundo a investigação, o termo seria utilizado para designar recursos movimentados pela organização criminosa.

Os investigadores também apontam que Oruam e Lucas mantinham contato com lideranças do CV, entre elas Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha.

Outra frente da apuração envolve pedidos de dinheiro feitos por Márcia a integrantes da facção. Em um dos episódios relatados, ela teria solicitado R$ 10 mil a Doca para pagar uma fatura de cartão de crédito.

Em outra conversa, Márcia pediu que Luiz Paulo Silva de Souza, conhecido como Magrão, levasse a Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D, uma solicitação de recursos para despesas familiares. O pedido incluía R$ 8 mil para um chá de bebê e R$ 20 mil para a compra de móveis, totalizando R$ 28 mil.

De acordo com a investigação, Márcia orientou que os valores fossem posteriormente descontados de “Nego”, apelido atribuído a Marcinho VP.

A apuração teve um desdobramento em abril deste ano, quando Márcia foi alvo de uma operação policial relacionada à investigação financeira do Comando Vermelho. Segundo a coluna de Manoela Alcântara, o veículo não conseguiu localizar a defesa dos citados.



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