Esporte
Publicado em 16/08/2026, às 11h46 Reprodução / Redes Sociais / @tifannyabreu10 Cauan Borges
A oposta Tiffany Abreu, do Osasco, se pronunciou pela primeira vez após a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciar mudanças nos critérios de elegibilidade para atletas da categoria feminina. A jogadora criticou a decisão que bane mulheres trans e afirmou que pretende adotar medidas para defender sua permanência no esporte.
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A manifestação aconteceu neste sábado (15), depois da derrota do Osasco para o Pinheiros por 3 sets a 2, na estreia da equipe pelo Campeonato Paulista. Apesar da nova política anunciada pela CBV, Tiffany está liberada para disputar a competição estadual.
Segundo a atleta, a decisão da entidade representa uma ameaça à sua carreira e também afeta outras pessoas envolvidas com o esporte: “O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos. São 10 anos no voleibol feminino. Não comecei ontem”, declarou.
Tiffany também afirmou que as consequências da medida ultrapassam a esfera individual e atingem o clube, torcedores, patrocinadores e pessoas que se identificam com sua trajetória. Aos 41 anos, a jogadora vive possivelmente sua última temporada antes de se aposentar. Abreu ingressou no voleibol feminino há uma década e se tornou uma das principais atletas trans a atuar na modalidade no Brasil.
Em outro trecho do pronunciamento, a atleta classificou a mudança como um retrocesso para a inclusão no esporte e criticou a adoção de critérios que, segundo a jogadora, remetem a métodos utilizados décadas atrás. A atleta do Osasco ainda garantiu que pretende continuar defendendo sua permanência nas quadras e os direitos de outras pessoas trans.
É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e inclusão de todas as pessoas no esporte. Voltamos para uma forma vexatória, como se testavam as atletas nos anos 60 e 70. Estamos em 2026. Não podemos ter esse retrocesso jamais. Não vou me calar. E vou tomar todas as medidas possíveis para que minha luta pelo direito, visibilidade, inclusão e prática do esporte não tenham sido em vão. Meus 10 anos não foram em vão e vou lutar por eles e por todos vocês”, completou.
Durante a partida contra o Pinheiros, Tiffany recebeu manifestações de apoio das arquibancadas. Torcedores do Osasco gritaram o nome da jogadora em diferentes momentos e exibiram cartazes e leques coloridos em incentivo à atleta.
A CBV anunciou na sexta-feira (14) que adotará, em suas competições nacionais de vôlei de quadra e praia, critérios baseados na política do Comitê Olímpico Internacional (COI) para definir a elegibilidade de atletas na categoria feminina.
Pelas novas regras, as jogadoras deverão apresentar teste genético com resultado negativo para o gene SRY, associado ao desenvolvimento sexual masculino. A medida será aplicada a partir da Superliga A e B da temporada 2026/27, além da Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulta, e CBVP Challenger 2027.
De acordo com a CBV, a recusa em realizar a triagem não será considerada uma infração disciplinar. No entanto, atletas que não comprovarem a elegibilidade ficarão impedidas de disputar as competições abrangidas pela nova política.
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