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Publicado em 12/06/2025, às 13h53 Reprodução / Freepik Leonardo Oliveira
Acordar, comer um pequeno tablete de "chocomelo" e meditar por 15 minutos. Em vez de um efeito psicodélico, a promessa é de mais calma, foco e criatividade para encarar a jornada de trabalho. Essa é a rotina de um número crescente de profissionais que aderiram à microdose de "cogumelos mágicos", uma prática que está saindo do submundo para ganhar os escritórios e consultórios.
A tendência, que mistura psilocibina (o princípio ativo dos cogumelos) com chocolate, é relatada por usuários como um divisor de águas na produtividade e bem-estar mental. Uma reportagem do UOL ouviu profissionais que sentiram uma transformação em suas carreiras, embora a maioria prefira o anonimato por medo de represálias no ambiente corporativo.
Relatos reais: "Uma guinada na minha vida"
A empreendedora e tatuadora Janaína Boccia, 45, é uma das que defendem a prática. Diagnosticada com TDAH, ela enfrentava picos de interesse seguidos de desistência. "Eu tinha medo de tomar decisões e procrastinava muito. Com o cogumelo e a meditação, fiquei mais concentrada, mais intuitiva e com uma melhor percepção de mim mesma", afirmou ao UOL.
Outros relatos anônimos corroboram os benefícios:
Uma diretora de marketing, que sofria com ansiedade em reuniões, relata: "Me sentia pressionada, ficava nervosa. A microdose foi incrível: entrava na reunião tranquila e saía animada. Não tinha mais taquicardia na hora de falar."
Uma executiva de multinacional, que se sentia desanimada e com a produtividade em baixa, conta que o efeito foi sutil, mas sua capacidade de entrega aumentou consideravelmente.
Uma vice-presidente financeira, diagnosticada com depressão, trocou os antidepressivos pela microdose e sentiu uma melhora significativa. "O medo constante de perder o emprego se foi, e eu retomei minhas funções como fazia antes da crise", relata ao UOL.
O que a ciência diz? O renascimento psicodélico
A psilocibina é a principal estrela da chamada medicina psicodélica, uma área de pesquisa que utiliza substâncias psicoativas para tratar condições como depressão, ansiedade, dependência química e estresse pós-traumático.
Estudos clínicos em universidades renomadas no mundo todo, incluindo Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) no Brasil, investigam seu potencial terapêutico. A Austrália já autorizou o uso para depressão resistente, e vários estados americanos liberaram a substância para fins medicinais.
Limbo jurídico no Brasil: É legal ou não?
No Brasil, a situação é complexa e vive em um limbo jurídico. Funciona assim:
Os cogumelos in natura não constam na lista de plantas proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No entanto, a psilocibina, seu principal princípio ativo isolado, é uma substância controlada e de uso restrito a pesquisas.
Em 2024, uma decisão da Justiça Federal abriu precedente para o uso terapêutico, mas a Anvisa ainda não concedeu uma autorização formal. Essa brecha permite a comercialização online, muitas vezes sem orientação profissional, o que acende um alerta.
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Como funciona o tratamento e quais os cuidados?
Segundo especialistas que acompanham pacientes, o uso da microdose deve ser feito com responsabilidade e acompanhamento. O terapeuta Alexandre Leitão, que desenvolve tratamentos com "chocomelos", ressalta que a prática não pode ser massificada.
"Não se encaixa na estrutura da indústria farmacêutica. Tem de ser ajustado para cada pessoa, e seus efeitos dependem do ambiente e da situação", explica ao UOL. A recomendação inclui:
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