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Motoristas trocam Uber e 99 por entregas e afirmam que "rodam menos e ganham mais"

Motoristas transportavam passageiros e agora trabalham para Shopee, Lalamove e outras empresas  |  Divulgação | Unsplash

Publicado em 08/08/2026, às 21h50 - Atualizado às 22h36   Divulgação | Unsplash   Alex Torres

Motoristas que trabalham em aplicativos como Uber e 99 Pop estão sendo atingidos pelas constantes mudanças do setor de mobilidade e dos novos habitos dos consumidores. Nesse contexto, eles têm começado a considerar a migração para a atividade de entregadores em plataformas digitais. As informações foram trazidas pela Revista Auto Esporte. 

Enquanto novas empresas têm começado a atuar no segmento das entregas nos últimos anos, as consideradas veteranas expandiram. Entre os exemplos, destaca-se a Shopee, que inaugurou depósitos logísticos em Goiás, Rio Grande do Sul e Minas Gerais em 2026 e ainda anunciou três centros de distribuição em Vitória-ES, Curitiba-PR e Fortaleza-CE. As novidades devem gerar em torno de 900 vagas de emprego no país.

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Na mesma linha de expansão, a Amazon inaugurou 100 centros de distribuição em 2025 e a Lalamove anunciou, na virada do ano, a marca de um milhão de entregas mensais e aumento de 12,4% no número de vans.

Moradoras da cidade de Canoas, na Rio Grande do Sul, Michele Bordignon e Tainá Casali contaram à Auto Esporte que decidiram realizar a migração. Elas pararam de rodar como motoristas por aplicativo para realizarem entregas

Hoje, com as entregas, tenho mais tempo disponível. Rodo menos, gasto menos com manutenção e combustível, e minha renda semanal aumentou", afirmou Tainá. 

"Mesmo que a vida de entregador não seja nada fácil, viver de Uber ou 99 hoje está muito ruim. São poucas corridas, mas é o valor o que mais desmotiva. Depois de mudar para as entregas, a despesa com o carro caiu bastante, pois se roda bem menos para fazer uma mesma renda, fora a questão do trabalho que dava com a limpeza do veículo", completou

Com atuação em São Paulo, Isaac Toledo Dull deixou o Rio de Janeiro e passou a fazer entregas na capital paulista. Ele decidiu fazer entregas pela Lalamove e rodava como motociclista por aplicativo na 99, mas parou por conta dos transtornos. 

"O que eu menos gostava é que você chegava para pegar o passageiro, aí às vezes ele não estava de bom humor, às vezes ele era muito pesado e isso estragava a moto, muitos ficavam reclamando, já tive calote… então eu não gostava", relatou o rapaz, que minimizou a diferença de renda e tempo, mas destacou a queda em despesas.

Também com atuação na Lalamove, em São Paulo, Luciano Acioli afirmou que teve dificuldades inicialmente para entender como a plataforma funcionava, mas atualmente já seleciona as corridas que fazem sentido financeiramente.

"Tenho metas e objetivos de crescimento bem definidos [...] Minha renda aumentou de forma significativa em relação ao transporte de passageiros e a flexibilidade é uma das maiores vantagens, mas também exige muita disciplina do profissional", pontuou

EXPERIÊNCIA NEGATIVA

Um entrevistado de Florianópolis, em Santa Catarina, que preferiu não se identificar, foi na contramão dos colegas e considerou a mudança como algo negativo, principalmente por conta do suporte oferecido pelas plataformas.

"No transporte de passageiros, o motorista consegue escolher melhor a região onde deseja trabalhar e, se considerar uma área de risco, pode recusar a corrida. Nas entregas isso não acontece: se a rota inclui bairros considerados perigosos, o motorista precisa ir mesmo assim", explicou. 

Para o entregador catarinense, o modelo de muitas empresas é parecido. No início, oferecem boas condições para atrair motoristas, mas depois, começam a surgir a redução de ganhos, menos escalas e mais exigências.

VISÃO DAS EMPRESAS

De acordo com a Lalamove, o movimento de migração entre modalidades de corridas para as entregas é uma tendência de diversificação dentro da economia de plataforma. Ela explica que "65% dos motoristas parceiros apontam a possibilidade de definir a própria rotina como a principal razão para realizar entregas na plataforma".

Uma observação compartilhada pela Lalamove é a de que, apesar de reconhecer que cada modalidade se alinha melhor a perfis distintos de profissionais. Sobre as regras para que sejam realizadas entregas com carros próprios, a empresa afirma que não possui frota, e que a integração é realizada através de um processo de verificação diretamente no aplicativo.

Os requisitos para atuar são: tipos de veículos (motos, sedãs, SUVs, utilitários e carretos que sejam de propriedade própria, de terceiros ou de locadoras – a não ser que estejam no cadastro de outro motorista parceiro); e documentação (CNH válida e definitiva, acompanhada do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV) em dia).

Classificação Indicativa: Livre


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