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Pesquisador negro denuncia racismo e perseguição por segurança dentro de universidade federal: "Cheguei chorando à direção"

Reginaldo Cordeiro dos Santos Junior foi abordado de forma agressiva por segurança ao retornar de trabalho de campo  |  Reprodução

Publicado em 19/09/2025, às 10h17 - Atualizado às 11h09   Reprodução   Lucas Pacheco

O pesquisador Reginaldo Cordeiro dos Santos Junior denunciou ter sido vítima de racismo, intimidação e perseguição dentro da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O ato aconteceu na última segunda-feira (15) e foi cometido por um segurança terceirizado.

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Segundo Reginaldo, ele foi perseguido mesmo passando pela catraca da instituição usando sua carteirinha de identificação.

“Eu tenho 44 anos, sou mestre e doutor em Antropologia pela UFMG. Venho de uma realidade de periferia, sempre lutei pelo estudo e nunca me envolvi com nada ilícito. Hoje sigo batalhando para conquistar um concurso público como professor universitário efetivo. E, ainda assim, nos tratam dessa forma? Cheguei à direção chorando, em completo desespero”, relatou ele ao g1.

De acordo com o boletim de ocorrência, o caso aconteceu quando o pesquisador voltava de um trabalho de campo e levava materiais do projeto de mapeamento para a sala de pesquisa.

Ao chegar a instituição, ele foi abordado pelo segurança de forma agressiva e identificado como entregador. Em seguida, ainda foi questionado, de forma hostil,  sobre o conteúdo da caixa que carregava.

Ainda com a identificação, Reginaldo Cordeiro dos Santos Junior afirmou que o segurança reagiu com sarcasmo e começou a persegui-lo com um celular em mãos, em tom intimidatório. Se sentindo ameaçado, o professor passou a gravar a situação com seu celular.

Mesmo após Reginaldo procurar a direção da Fafich e, segundo ele, relatar o ocorrido para o vice-diretor da unidade, Rogério Pateo, na saída do prédio ele voltou a ser abordado pelo segurança, que passou a fotografá-lo.

Posição da UFMG

Em nota publicada em seu site, a UFMG afirmou está apurando a denúncia e que desde 2023 possui uma comissão responsável por políticas de enfrentamento ao assédio. 

"A UFMG reafirma seu compromisso com a promoção dos direitos humanos, da dignidade, da diversidade e da equidade, princípios que orientam sua missão acadêmica, social e institucional", completou.

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