Geral
Publicado em 11/12/2025, às 08h12 - Atualizado às 09h44 Reprodução / Jakub Żerdzicki / Unsplash Leonardo Oliveira
Uma pesquisa revelou que 63% dos brasileiros já utilizam Inteligência Artificial (IA) para criar mensagens pessoais, indicando que, cada vez mais, as pessoas estão delegando o esforço mental à tecnologia. O levantamento, realizado pela consultoria Página 3, apresenta dados que mostram como a IA deixou de ser apenas um suporte para tarefas complexas e passou a influenciar até decisões íntimas e processos antes considerados intransferíveis.
O estudo, chamado “Mais do Mesmo”, analisou a relação entre excesso de estímulos, lógica algorítmica e a terceirização do pensamento para ferramentas de IA. A conclusão central é que, ao recorrer repetidamente à tecnologia para pensar e produzir conteúdo, o indivíduo começa a perder capacidade de formular opiniões próprias e de exercitar criatividade, resultando em uma homogeneização do pensamento.
A pesquisa entrevistou 600 brasileiros de todas as classes sociais, todos com acesso à internet e conhecimento digital, e possui margem de erro de 4%. Entre os principais achados, destacam-se:
Impacto
A pesquisa mostra que o impacto da IA deixou de ser individual e passou a atingir o todo, mas é possível encontrar caminhos para evitar essa terceirização mental.
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Ampliar o repertório cultural, participar de conversas longas, exercitar a escrita e o debate, se deparar com opiniões diferentes da própria, são algumas formas que podem ser utilizadas para combater a homogeneização da cultura.
De acordo com Sabrina Abud, da Página 3, uma das responsáveis pelo estudo, “quando tudo se torna parecido, o que acontece com a gente? Será que a nossa identidade também está se parecendo muito com a dos outros? Será que a gente está igual a todo mundo também?”, questiona.
“Além da pesquisa quantitativa, fizemos um aprofundamento qualitativo muito grande. Você pode de fato conseguir olhar para dentro e criar ações e rituais no seu dia a dia para você conseguir quebrar esses padrões”, diz Georgia René, outra idealizadora da pesquisa.
Um dos pontos que chamou a atenção de Sabrina foi a redução da lucidez, mostrada no estudo. “Quando a gente fala ‘menos lucidez’ é que as pessoas estão se descolando da realidade”, argumenta.
“É muito chocante a gente pensar que as pessoas estão se parecendo muito entre si porque o ChatGPT, por exemplo, fala que tudo é excelente, então você começa a achar que você é muito inteligente. Você tem a ilusão de que você está descobrindo alguma coisa, quando na verdade, não descobriu”, explica.
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