Meio Ambiente

El Niño pode gerar impactos na segurança hídrica por conta do longo período de estiagem na Bahia

Governo da Bahia instaurou um plano de contingência para enfrentar impactos do El Niño  |  Divulgação

Publicado em 14/08/2026, às 11h37   Divulgação   Bernardo Rego

O fenômeno do El Niño, que começou em junho deste ano após alertas da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), pode causar sérios prejuízos à Bahia por conta do longo período de estiagem.

De acordo com o NOAA, há 69% de probabilidade de que este El Niño seja o mais intenso já registrado desde 1950, com possibilidade de as temperaturas das águas do Pacífico atingirem anomalia igual ou superior a 2,5 °C.

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O atual episódio de El Niño teve seu início em junho e os primeiros reflexos da sua atuação no clima no Brasil já foram percebidos na Região Sul, com as chuvas muito acima da média em julho, entre 30 e 90% acima da média do mês, dependendo da localidade.

O El Niño deve durar até, pelo menos, março de 2027. Tal condição potencializará a continuidade das chuvas acima da média no Sul do Brasil e chuvas mais irregulares, com totais abaixo da média, nas regiões Norte e Nordeste a partir de outubro.

Por conta disso, o governo da Bahia ativou um plano de contingência para combater os impactos com investimentos na casa dos R$ 4,5 bilhões. Entre as ações prioritárias estão a intensificação da manutenção preventiva em adutoras, canais e poços artesianos para eliminar desperdícios estruturais, além do suporte direto a perímetros irrigados da agricultura familiar.

Atualmente, estão em andamento as seguintes ações, incluídas no Plano de Contingência: monitoramento diário, com acompanhamento contínuo dos volumes e da capacidade de vazão das bacias hidrográficas e reservatórios baianos; manutenção preventiva, com vistorias técnicas e reparos ágeis em redes, bombeamentos e poços para zerar perdas do sistema; segurança no campo, com planejamento junto a produtores rurais para otimizar a irrigação e evitar o esgotamento dos mananciais locais; e informações atualizadas sobre os níveis dos reservatórios e boletins hídricos do estado podem ser acompanhados diretamente no portal oficial da SIHS.

Nordeste

No Nordeste, os efeitos do El Niño tendem a aparecer principalmente na irregularidade das chuvas, sobretudo no interior da região. Caso haja atraso ou enfraquecimento do período chuvoso, o impacto deve ser mais sentido no semiárido, onde muitos municípios dependem de reservatórios que demoram mais para encher. Especialistas destacam que, além do fenômeno, fatores como o aquecimento do Atlântico e mudanças no uso do solo também influenciam o regime de chuvas, podendo agravar cenários de seca ou dificultar a recuperação hídrica em algumas áreas.

Ondas de calor mais longas

Nos últimos anos, o Brasil já vem registrando aumento na frequência e na duração das ondas de calor. Em 2024, foram dez episódios; em 2023, oito. Mesmo sem o fenômeno plenamente configurado, 2025 já acumula sete ocorrências.

A tendência é que esses eventos se tornem ainda mais prolongados, ultrapassando vários dias consecutivos de temperaturas acima do nível considerado confortável.

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