Economia & Mercado
por Yuri Pastor e Camila Sales
Publicado em 21/07/2026, às 10h58 - Atualizado às 13h24
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) apresentou, na manhã desta terça-feira (21), um estudo inédito que alerta para os riscos climáticos e comerciais capazes de impactar a economia baiana.
O principal destaque foi a projeção de que um Super El Niño pode provocar prejuízos superiores a R$ 13 bilhões no estado, afetando diretamente a produção agropecuária, o emprego e o abastecimento de alimentos.
Durante a coletiva, o presidente da Faeb, Humberto Miranda, também comentou os reflexos do recente aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo ele, os impactos diretos para a Bahia tendem a ser limitados, mas a situação exige atenção do ponto de vista diplomático.
As estimativas da entidade apontam que um evento climático semelhante ou mais intenso que a seca histórica de 2015/2016 poderá comprometer significativamente a produção agropecuária baiana. A perda estimada de R$ 13 bilhões representa cerca de 22% do Valor Bruto da Produção (VBP) do estado, atualmente projetado em aproximadamente R$ 50 bilhões.
A região mais vulnerável é o semiárido, que ocupa cerca de 70% do território baiano e concentra mais da metade da população do estado, aproximadamente 8 milhões de pessoas.
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Questionado sobre os municípios mais vulneráveis ao fenômeno e as estratégias para enfrentar os efeitos do El Niño, Humberto Miranda foi categórico.
"Sem dúvida nenhuma, a região semiárida, que abrange praticamente 70% do estado, é a mais afetada. É preciso lembrar que ali vivem 8 milhões de pessoas, mais da metade da população da Bahia."
Segundo o presidente da Faeb, essa região historicamente concentra os maiores impactos durante os períodos de seca.
"As culturas e, naturalmente, os pequenos produtores são os que mais sofrem."
Ele destacou que o semiárido reúne os menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) da Bahia e abriga milhares de agricultores familiares, cuja produção depende diretamente do regime de chuvas.
"Como a previsão aponta para escassez hídrica, nossa maior preocupação recai sobre quem produz milho, feijão e mandioca, além dos criadores de caprinos e ovinos, que sentirão os impactos mais severos."
Ao explicar a estimativa de perdas, Miranda utilizou como referência o Valor Bruto da Produção (VBP).
"Se a gente retira, baseado nos prejuízos da última seca, que foi a mais cruel dos últimos anos, em 2015-2016, que durou mais de um ano os efeitos do El Niño, nós teríamos um prejuízo em torno de R$ 13 bilhões na nossa economia agropecuária, ou seja, daria aí quase 22% de tudo o que estaria previsto para este ano."
Ele acrescentou que a projeção está baseada em previsões dos principais centros meteorológicos internacionais e brasileiros, que indicam a possibilidade de ocorrência do El Niño entre setembro deste ano e o primeiro trimestre de 2027.
Diante do cenário, a Faeb encaminhou um ofício ao Governo da Bahia propondo medidas divididas em três etapas: pré-emergenciais, emergenciais e pós-emergenciais. Neste momento, o foco está na prevenção.
Entre as principais ações defendidas pela entidade estão:
Tarifas dos EUA
Sobre o aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, Humberto Miranda classificou o cenário como um desafio diplomático.
"Nossa defesa, tanto pela Federação quanto pela CNA, é que o diálogo prevaleça para evitar danos políticos. No caso específico da Bahia, os impactos imediatos tendem a ser pontuais, pois nossos carros-chefe estão fora da nova pauta de taxação."
Segundo ele, o cenário para a Bahia é o seguinte:
Apesar do impacto econômico limitado para a Bahia, a Faeb avalia que a situação tem forte peso político. Segundo a entidade, o mercado norte-americano funciona como uma espécie de "grife" para os produtos brasileiros, servindo como referência de qualidade no comércio internacional.
Por isso, a Faeb e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendem uma atuação diplomática para restabelecer a normalidade das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
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