Meio Ambiente

Mais da metade do carbono orgânico armazenado no solo brasileiro está na Amazônia

Nova coleção de dados sobre solo brasileiro revela estoque de 37,5 gigatoneladas de carbono orgânico na Amazônia  |  Divulgação / Freepik

Publicado em 05/12/2025, às 08h19 - Atualizado às 08h27   Divulgação / Freepik   Verônica Macedo

O Brasil possui uma massa total de 37,5 gigatoneladas (Gt) de carbono orgânico do solo (COS) na camada de 0 a 30 centímetros, com uma média de 44,1 toneladas por hectare (t/ha). Mais da metade (52%) desse total está na Amazônia. Estes são alguns dos novos dados do MapBiomas Solo. Desenvolvida pela rede MapBiomas, a plataforma integra dados da nova Coleção 3 (beta) de mapas anuais do estoque de carbono orgânico do solo entre 1985 e 2024, além de mapas de granulometria, textura e profundidade de camadas pedregosas dentro de 100 centímetros do solo em todo o território brasileiro.

“O solo é um arquivo do tempo: nele se acumulam sinais de clima, vegetação e relevo que moldaram o território ao longo da história. A distribuição do carbono orgânico é um exemplo disso. Compreender esses padrões é olhar para o país também pelo que se conserva abaixo da superfície”, explica o professor Alessandro Samuel-Rosa, um dos coordenadores do MapBiomas Solo. “Esses mapas das propriedades dos solos brasileiros, como carbono, textura e pedregosidade, permitem avanços nas análises voltadas aos usos agrícolas e urbanos do solo, como o armazenamento de água, susceptibilidade a processos erosivos e movimentos de massa, a avaliação de riscos climáticos e o planejamento territorial”, completa a professora Taciara Zborowski Horst, que também coordena a iniciativa.

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Os dados, revelados nesta sexta-feira (5), Dia Mundial do Solo, revelam que 35,9% do solo brasileiro estocam entre 40 e 50 t/ha de carbono. A Mata Atlântica supera a média nacional de armazenamento por hectare, com 53,4 t/ha, onde se encontram as regiões de clima mais frio (como campos de altitude e florestas de araucária) e úmidas (como restingas e mangues) que favorecem o acúmulo de carbono abaixo da superfície. Em segundo lugar, está a Amazônia, com 46,3 t/ha, e depois o Pampa, com 43,7 t/ha. Nos dois biomas, os maiores estoques de carbono orgânico do solo estão em florestas de várzea, como aquelas próximas do Rio Negro na Amazônia, e na zona costeira.

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