Polícia
Publicado em 28/10/2026, às 14h37 Leitor BNews Cauan Borges
Uma assistente social alegou que foi agredida por um policial militar dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santo Antônio, no bairro da Roma, em Salvador, na noite da última terça-feira (27).
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O episódio ocorreu após um desentendimento relacionado à realização de um exame de Doppler, que não estava disponível na unidade durante o período noturno. O caso foi registrado na Central de Flagrantes, e os envolvidos foram liberados após prestarem esclarecimentos à Polícia Civil.
Segundo o relato da vítima, ela e uma colega tentaram explicar ao homem que o exame só poderia ser realizado durante o dia. No entanto, o policial, teria se recusado a procurar outra unidade de saúde, alegando que já havia passado por outras UPAs, e exigido falar com a coordenação. Como não havia coordenador no local após as 18h, a profissional tentou acionar um responsável, mas a situação se agravou.
Foi quando ele partiu para cima de mim e, como o vídeo mostra, ele chegou a me dar um tapa, me empurrou, mostra que a minha colega está me segurando e me colocou para dentro da sala”, afirmou em entrevista à TV Bahia.
Após a intervenção dos policiais que estavam na unidade, o homem foi retirado do local. Horas depois, as partes foram conduzidas à Central de Flagrantes, onde foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Em entrevista ao BNews, a irmã da assistente social afirmou que a profissional está emocionalmente abalada e teme sofrer represálias após a agressão. Segundo ela, a família registrou a ocorrência na noite do episódio, e procurou a Corregedoria da Polícia Militar nesta quarta-feira (28) para dar continuidade às providências.
Ela tá muito abalada, muito abalada, segue com muito medo, né, de represália”, relatou.
A irmã também questionou o tratamento que, segundo ela, o policial recebeu após o episódio. De acordo com a familiar, enquanto a assistente social e seus acompanhantes aguardavam do lado de fora, sob a chuva, o agente teria permanecido em uma sala e recebido atendimento diferenciado.
O policial teria retornado à UPA após a ocorrência e permanecido no local durante a noite. Segundo ela, outros funcionários da unidade também ficaram assustados com a situação, diante da possibilidade de um novo confronto. A familiar relatou que o homem só teria deixado a unidade pela manhã, quando a presença do comandante e a repercussão do caso aumentaram.
Ao reconstituir o episódio, a irmã contou que o policial chegou à UPA exaltado, acompanhado da esposa e de uma mulher que a família acredita ser a sogra dele. Conforme o relato, o homem teria discutido com funcionários da portaria antes de ser atendido pela médica, que explicou a indisponibilidade do exame de Doppler durante a noite.
Ainda segundo a familiar, o policial exigiu falar com a assistente social e entrou na sala onde ela trabalhava. No local, teria continuado a gritar e a ofender os profissionais de saúde, chamando-os de incompetentes. Quando a trabalhadora tentou telefonar para buscar ajuda, o homem teria ido atrás dela, momento em que ocorreu a agressão registrada em vídeo.
A irmã também afirmou que a família recusou a possibilidade de a vítima ser transportada na mesma viatura que o agressor. Segundo a parente, na Central de Flagrantes, o policial estava acompanhado de dois advogados, enquanto a assistente social se encontrava abalada e medicada. A familiar disse ainda que a profissional chegou a apresentar pressão arterial elevada durante o atendimento.
A busca pela Corregedoria, de acordo com a irmã, tem o objetivo de garantir que o caso seja apurado, já que a agressão teria ocorrido enquanto a trabalhadora exercia suas funções. A familiar também manifestou preocupação com a possibilidade de a profissional sofrer consequências no emprego e explicou que a vítima prefere não ter a identidade divulgada por medo de represálias.
Ela ainda chora muito, com medo de ser demitida, porque as pessoas que são agredidas lá, geralmente, são demitidas. Então, ela está com muito medo de expor o rosto, está muito envergonhada, está bem debilitada com todo o processo”, afirmou a irmã.
A familiar acrescentou que a assistente social teme pela própria segurança após precisar fornecer informações pessoais durante o registro da ocorrência. Por isso, pediu que a identidade dela e de outros parentes seja preservada.
Em nota, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) confirmou que policiais da 17ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) foram acionados para atender a uma ocorrência de vias de fato na UPA Santo Antônio, na noite de terça-feira (27). A corporação informou que o desentendimento envolveu um policial militar e uma assistente social que atua na própria unidade.
Diante do ocorrido, as partes foram conduzidas à Central de Flagrantes pela guarnição responsável para prestar os devidos esclarecimentos. Após o registro da ocorrência e os depoimentos prestados perante a autoridade policial, os envolvidos foram liberados, ficando o caso registrado sob responsabilidade da Polícia Civil para a tomada das medidas cabíveis”, informou a PM-BA.
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