Política

Afastado por Mendonça, delegado da PF recusou operação golpista contra eleitores da Bahia em 2022

Leandro Almada era superintendente da PF em 2022 e teria atuado contra o bloqueio em estradas  |  Divulgação/ALBA

Publicado em 09/09/2026, às 00h00   Divulgação/ALBA   Matheus Simoni

Afastado nesta terça-feira (8) da Diretoria de Inteligência Policial da Polícia Federal por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, o delegado Leandro Almada se recusou a participar de uma ação policial contra eleitores do Nordeste no segundo turno de 2022. A informação foi confirmada por ele em depoimento à PF no âmbito da trama golpista em meados de 2023.

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Acompanhado do então diretor-geral da PF, Márcio Nunes, o ex-ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro Aderson Torres teve uma reunião com Almada e justificou o pedido baseando-se em "desconfiança de compra de voto, de uma suposta anormalidade na Bahia". Ele era o então superintendente da PF na Bahia.

Segundo o delegado, ouvido em investigação sobre atuação a Polícia Rodoviária Federal (PRF), sob ordens de Torres, em favor de Jair Bolsonaro durante o 2º turno da eleição presidencial, o ex-ministro teria repassado uma lista com municípios onde a PF deveria atuar prioritariamente, com foco na Bahia. O estado é o maior colégio eleitoral do Nordeste e deu 72,12% dos votos válidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno daquele ano. Investigações apontaram que o então ministro da Justiça levantou municípios onde o petista tinha votação expressiva em relação a Jair Bolsonaro (PL).

Em depoimento, Almada se comprometeu a enviar a listagem aos investigadores. Torres teve acesso a um documento constando cidades onde Lula teve mais votos que Bolsonaro. A hipótese levantada por Torres e Márcio Nunes para a "anormalidade" era de que "facções criminosas em Salvador estariam nitidamente apoiando candidato do PT". No entanto, de acordo com o próprio delegado, a hipótese já tinha sido descartado anteriormente porque se tratava de uma "fake news".

Leandro Almada era superintende da PF em 2022 quando atuou contra o bloqueio de estradas (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Almada detalhou em depoimento que os boatos surgiram após o 1º turno, com base em um áudio de um suposto traficante que usava uma estrela do PT e uma tentativa de intimidar eleitores. Como resposta, Almada disse ter recebido uma "sugestão" de Anderson Torres para que a PF atuasse com a PRF no dia da votação. De imediato, ele considerou "inadequado" e não colocou em prática, mas aceitou a proposta de colocar 100% dos agentes para trabalhar no dia do 2º turno da eleição de 2022, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva.

A gente foi informado, sim, que tinha algumas localidades especificamente, não sei se em função do número de eleitores ou pela cobertura da cidade, enfim. Houve sim, foi encaminhada uma sugestão de cidades para que fosse reforçado [o policiamento]", declarou Leandro Almada.

As informações trazidas por Almada em depoimento também foram trazidas por ele à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro.

Almada faz parte da PF desde 2008, onde ingressou como delegado. Desde então, ele ocupou diversos cargos e comandou as superintendências no Amazonas, Bahia e Rio de Janeiro. Leandro Almada também atuou nas investigações sobre a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados em março de 2018.

Em julho de 2020, o próprio Mendonça nomeou Almada diretor de Operações da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça. Naquela época, o ministro do STF era ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro (PL).

Em outubro do ano passado, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) concedeu a Leandro Almada o título de cidadão baiano, juntamente com o então diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também afastado por Mendonça.

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