Política

AGU recorre e pede suspensão de afastamento de Andrei da PF

Fernando Camargo/Agência Brasil
Órgão alega que André Mendonça violou prerrogativa do presidente da República ao suspender diretor da PF  |   Bnews - Divulgação Fernando Camargo/Agência Brasil
Matheus Simoni

por Matheus Simoni

matheus.simoni@bnews.com.br

Publicado em 08/09/2026, às 19h06



A Advocacia-Geral da União (AGU), através do chefe do órgão, Jorge Messias, pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin, nesta terça-feira (8), a suspensão da decisão monocrática do ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

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Assinada pelo advogado-geral da União e por outros integrantes da direção da AGU, a peça sustenta a existência de grave lesão à ordem pública e administrativa.

O órgão argumentou ainda que o afastamento cautelar viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do Presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal. "Além disso, destaca se que a descontinuidade abrupta na gestão do órgão compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional", diz nota da AGU.

A manifestação ocorre após reunião de Messias com o presidente do STF. De acordo com a petição da AGU, a escolha, nomeação e livre exoneração do diretor-geral da Polícia Federal são prerrogativas exclusivas do chefe do Poder Executivo federal.

Diante do quadro de urgência, a AGU requereu a concessão de liminar para suspender imediatamente o afastamento dos dirigentes e a subsequente confirmação do pedido no mérito até manifestação definitiva do órgão competente", diz nota.
A única exigência legal para o provimento do cargo de diretor-geral da PF é que ele seja ocupado por um integrante de classe especial da carreira de Delegado de Polícia Federal.

A situação marca uma nova escalada da crise no Supremo. No fim de julho, a PF acionou a AGU para contestar a conduta do ministro no âmbito das investigações de uma fraude no Banco Master e do INSS. Rodrigues se queixava a interlocutores de uma postura ‘intervencionista’ de Mendonça, que buscava acompanhar e interferir, segundo ele, no trabalho da corporação.

A AGU optou por não levar a ação adiante por entender que um questionamento sobre decisões de um ministro da Suprema Corte poderia colocar em risco a lisura dos processos dos quais ele é relator.

Segundo a petição protocolada pela AGU, o conjunto fático atrelado à produção e à divulgação de relatórios de inteligência da Polícia Federal já se encontrava sob a condução direta da Presidência da Suprema Corte desde 3 de setembro de 2026. 

"Esse procedimento delimitou pontos de investigação e concedeu prazo de cinco dias úteis para manifestação de autoridades, inclusive dos diretores da PF afastados. Para a União, a decisão monocrática concorrente antecipou juízos cautelares e submeteu ao referendo da Segunda Turma do STF matéria indicada pelo próprio ministro-relator como de competência do Plenário", declarou o órgão.

Diante do quadro de urgência, a AGU requereu a concessão de liminar para suspender imediatamente o afastamento dos dirigentes e a subsequente confirmação do pedido no mérito até manifestação definitiva do órgão competente.

Crise no Supremo

A crise ganhou dimensão pública na última semana, com decisões de Moraes e Mendonça envolvendo investigações que atingem diretamente um ao outro. Tudo começou com a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal, promovida por Mendonça. O documento expõe mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

O material indicava uma proximidade entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Em uma das conversas, dois dias antes de ser preso na Operação Compliance Zero em novembro de 2025, o banqueiro pergunta a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?".

Como resposta, Alexandre de Moraes acionou o presidente do STF pedindo que André Mendonça seja investigado. Moraes alega que há indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento de grupos políticos por parte de Mendonça na condução dos casos do Banco Master e do INSS. Inicialmente, Moraes tentou incluir o pedido no Inquérito das Fake News, mas o presidente da Corte barrou a manobra.

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