Política
Publicado em 15/07/2026, às 08h13 - Atualizado às 08h18 Reprodução Redação Bnews
O secretário-adjunto municipal da Fazenda de São Paulo, Fabiano Martins de Oliveira, aparece como integrante da banda Névula, uma das quatro bandas contratadas pela Prefeitura de São Paulo em 2025 com cachês que são alvo de apuração do Tribunal de Contas do Município (TCM). A informação é do Metrópoles.
Conhecido artisticamente como “Tenente”, o servidor ocupa o cargo de número 2 da pasta e chegou a assumir interinamente a secretaria no mês passado, durante as férias do atual secretário Luis Felipe Vidal Arellano.
Fabiano é auditor fiscal tributário de carreira e foi nomeado na Prefeitura de São Paulo em 2012. Desde então, ocupou funções como diretor de Administração Financeira, diretor de Arrecadação Bancária e diretor do Disponível.
Servidor diz que participação em banda foi voluntária
Segundo a Secretaria da Fazenda, Fabiano Martins de Oliveira não integra a banda mencionada na reportagem e sua participação artística ocorreu a convite do grupo, de forma voluntária, sem remuneração e com renúncia expressa a quaisquer direitos, vantagens ou pagamentos.
A pasta também afirmou que o servidor e a Secretaria Municipal da Fazenda não participaram de qualquer etapa dos processos de contratação realizados pela Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa ou por outras áreas da prefeitura.
O nome artístico “Tenente” faz referência ao período em que Fabiano exerceu atividades como 1º tenente R2 do Exército Brasileiro, entre 1996 e 2005, segundo informações da Secretaria da Fazenda.
Banda Névula recebeu cachês da Prefeitura de São Paulo
A banda Névula foi uma das quatro bandas de rock contratadas pela Prefeitura de São Paulo em 2025. O grupo possui cerca de 4,5 mil ouvintes mensais em uma plataforma de streaming, além de 10 singles e um EP com cinco músicas lançado em 2025.
Para justificar a cobrança de cachê de R$ 30 mil, a banda apresentou notas fiscais de apresentações particulares realizadas para uma consultoria de engenharia, uma pessoa física e uma das empresas de Matheus Inácio do Nascimento, responsável pela Agência J7, que antes se chamava Agência RVL.
Segundo a apuração, os perfis da banda no Instagram e no YouTube foram deletados após questionamentos feitos pela reportagem do Metrópoles à Secretaria da Fazenda. Antes disso, Fabiano aparecia em publicações feitas pela banda e também no Facebook ao longo de 2025.
Contratos com bandas são investigados pelo TCM
As contratações da Prefeitura de São Paulo passaram a ser investigadas pelo Tribunal de Contas do Município após denúncia da vereadora Luana Santos (PSol).
A apuração envolve, além da Névula, outras bandas ligadas ao produtor Fabrício Raveli: MotorRockBr, RockFun Legends e Black Tie. Segundo a investigação, os grupos foram contratados ao menos 73 vezes pela prefeitura nos últimos 15 meses, com cachês que somam mais de R$ 2,3 milhões.
O TCM apontou que as justificativas usadas pela prefeitura para comprovar a chamada “consagração pela crítica ou pelo público” de duas bandas, Névula e RockFun Legends, seriam apenas “material de divulgação preparado pelo próprio contratado”, sem uma análise considerada legal pelo órgão.
A auditoria também afirmou não ter encontrado evidências de divulgação prévia dos eventos nos processos analisados nem comprovação da realização dos espetáculos nos documentos de pagamento.
Relação com produtor também entrou na mira
Segundo a apuração, as bandas ligadas a Fabrício Raveli foram contratadas pela Prefeitura de São Paulo principalmente em eventos organizados pelo próprio produtor.
O irmão de Fabrício, Rodrigo Raveli, comanda a São Paulo Turismo, empresa responsável por bancar agendas culturais da prefeitura. O município informou ter afastado Rodrigo após a publicação da reportagem que apontou a relação entre os dois.
O processo do TCM aguarda voto do relator Eduardo Tuma para ser levado ao plenário. Procurado, Fabrício Raveli não comentou as acusações, mas deletou redes sociais de um dos eventos e da ONG utilizada para organizá-los.