Política
Publicado em 30/11/2025, às 15h20 Geraldo Magela/Agência Senado Bruna Rocha
O ex-ministro José Dirceu afirmou que o bolsonarismo enfrenta um impasse em relação ao papel do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele contrapôs essa situação ao que considera ser uma “aliança consolidada” em torno da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.
“Bolsonaro não vai sair de cena. Isso é uma ilusão. O bolsonarismo tem um problema para resolver”, disse Dirceu em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada neste domingo (30).
O ex-ministro criticou o histórico de declarações e posições de Bolsonaro e classificou como “hipocrisia” a articulação de mudanças no Código Penal por parte de aliados do ex-presidente.
“Bolsonaro sempre defendeu prisão perpétua e justificou a tortura. Já apresentaram proposta de pena de morte no Brasil. Agora, hipocritamente, querem propor projetos para mudar o Código Penal e, conforme o tipo de crime, reduzir penas. O que eles querem é impunidade”, afirmou.
Dirceu também avaliou que o bolsonarismo “não será mais maioria” no país. “Temos condições de ser maioria, fazendo alianças. Ele [Bolsonaro] será coadjuvante na próxima eleição. Aquela imagem dele com a tornozeleira [supostamente queimada com ferro de solda] foi patética. Ridícula”, disse.
O ex-ministro acrescentou que o bolsonarismo ainda lidera parte da direita, especialmente a extrema direita, mas destacou o que considera ser um dilema para os setores que apoiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo Dirceu, Tarcísio “se identificou” com o bolsonarismo e com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que teria ampliado sua rejeição: “Ele se contaminou com a rejeição de grande parte das classes médias que deram a vitória ao Lula em 2022”.
Para Dirceu, esse é o nó que a direita precisa desatar: “Eles têm um problema para resolver: precisam do Bolsonaro, mas não querem Bolsonaro. Nós temos um candidato e uma aliança. O presidente Lula é o candidato”.
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