Política
Publicado em 22/09/2026, às 05h44 - Atualizado às 07h49 Domingos Junior / BNews Redação Bnews
O ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, Augusto Ferreira Lima, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que uma medida provisória editada durante o governo Jair Bolsonaro, e não uma emenda apresentada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), teria beneficiado o banco.
A declaração consta em uma petição apresentada em junho, na qual a defesa de Lima contestou medidas restritivas determinadas pelo ministro do STF André Mendonça. As informações são do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles.
Na petição, a defesa de Augusto Lima contestou uma avaliação da Polícia Federal (PF) de que uma emenda apresentada por Jaques Wagner a uma medida provisória teria beneficiado o Banco Master.
Segundo Lima, houve uma “confusão” entre o conteúdo da emenda apresentada pelo senador e o texto original da Medida Provisória nº 1.106/2022, editada pelo então presidente Jair Bolsonaro, no último ano de seu mandato.
A medida provisória tinha como objetivo ampliar a margem de crédito consignado para aposentados, pensionistas, beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de outros programas de transferência de renda.
“Acredita-se que pode ter havido uma confusão entre o conteúdo da emenda proposta pelo senador com o da própria MP nº 1.106/2022, editada pelo então presidente da República Jair Bolsonaro, cujo objeto era ampliar a margem de crédito consignado para aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC e de outros programas de transferência de renda. Aparentemente, de fato, a MP beneficiaria operadores do mercado de crédito consignado. Contudo, ela não foi proposta pelo senador”, afirma a defesa do banqueiro.
Lima também afirmou que a emenda de Jaques Wagner tinha outro objetivo. Segundo a defesa, a proposta “visava proteger os tomadores de crédito, e não favorecer as instituições financeiras”, ao limitar os juros das operações de crédito com desconto automático em folha.
“A circunstância é relevante porque o suposto benefício ao mercado de crédito consignado é o que sustenta a tese da Polícia Federal. Se a Emenda nº 30 propunha a limitação de juros, desaparece a premissa de que o agravante teria oferecido ou pago vantagem indevida ao senador para praticar ato de ofício em favor do Banco Master. Isso porque a emenda caminha em sentido contrário ao alegado interesse do agravante”, completa a defesa de Lima na petição.
A Polícia Federal também levantou suspeitas sobre uma emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) relacionada ao aumento do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Segundo a investigação, Jaques Wagner teria atuado no Congresso Nacional pela aprovação da emenda de Ciro Nogueira a pedido de Augusto Lima.
Quando Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão no Caso Master, a PF identificou uma troca de mensagens na qual Augusto Lima encaminhou ao senador o link da emenda de Ciro Nogueira logo após uma ligação.
A defesa de Lima também contestou essa interpretação. Segundo o ex-sócio de Daniel Vorcaro, a única atuação de Jaques Wagner em relação à emenda foi um pedido de vista.
“O único ato praticado pelo senador Jaques Wagner em relação à Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, documentado nas notas taquigráficas da 28ª Reunião Ordinária da CCJ, de 14/08/2024, foi um pedido de vista. O senador sequer chegou a votar a matéria”, diz Lima em sua defesa ao STF.
Sabatina BNews: Jaques Wagner atribui caso Banco Master a Bolsonaro e chama Vorcaro de ‘marginal’
Sabatina BNews: Jaques Wagner diz que Mendonça 'não pode tudo' e critica afastamento de diretor da PF: 'Não acho bom'