Política

Investigação contra Jaques Wagner deve seguir o princípio do "doa a quem doer"

Wagner pode enfrentar consequências severas em meio a acusações que abalam sua posição no Senado.  |  Divulgação/PT

Publicado em 18/06/2026, às 12h45 - Atualizado às 13h12   Divulgação/PT   Camila Sales

Sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma operação de busca e apreensão mirou o senador Jaques Wagner (PT) e seus familiares nesta quinta-feira (18). A Polícia Federal (PF) reuniu diálogos e provas que apontam que a entrega de um imóvel teria sido orquestrada como forma de gratidão pela influência de Wagner em favor dos grupos Lima e Master.

O foco das atenções é o luxuoso Poème Horto, situado no bairro nobre Horto Florestal. O condomínio, ainda em obras, comercializa apartamentos a partir de R$ 1,7 milhão, dispondo de lazer completo com academia, SPA e espaço pet. Detalhes técnicos e plantas do projeto indicam que o imóvel ligado ao parlamentar ficaria no 17º pavimento, ostentando quatro suítes distribuídas em cerca de 200m².

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A Suprema Corte autorizou 18 mandados cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Paralelamente, os alvos, que figuram em inquéritos de corrupção e lavagem de capitais, tiveram passaportes retidos e estão proibidos de manter comunicação. No Palácio do Planalto, aliados do presidente Lula avaliam que o cenário exige justificativas contundentes do senador, visto o teor das acusações sobre benefícios de natureza pessoal.

Segundo o Estadão, o mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve pregar o rigor na apuração das condutas atribuídas a seu líder no Senado. O posicionamento oficial deve girar em torno da máxima de que os fatos precisam ser esclarecidos "doa a quem doer". Apesar de parlamentares repetirem o discurso, o clima nos bastidores é de profunda apreensão quanto à manutenção de Wagner no posto de confiança. 

Fontes ligadas ao Executivo ponderam que o encerramento das atividades no Congresso este ano impõe dificuldades para uma troca de comando. Há quem defenda que, com a proximidade da corrida eleitoral, qualquer movimentação na liderança do governo teria efeito inofensivo, não produzindo o resultado esperado no atual contexto político.

Wagner, veterano histórico do PT e braço direito de Lula, carrega um currículo que inclui dois mandatos como governador da Bahia. Sua trajetória em gestões federais é extensa: comandou os Ministérios do Trabalho e das Relações Institucionais no primeiro ciclo lulista. Já sob a presidência de Dilma Rousseff, transitou por ministérios como o da Defesa e a chefia da Casa Civil.

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