Política

"Lei do silêncio" impera no PDT da Bahia uma semana após Félix Mendonça Jr. ser alvo da Overclean

Investigação da PF gera tabu entre membros do PDT da Bahia, que evitam discutir o assunto em público  |  Pablo Valadares / Câmara dos Deputados

Publicado em 21/01/2026, às 17h30 - Atualizado às 17h50   Pablo Valadares / Câmara dos Deputados   Thiago Teixeira

Poucos mais de uma semana após a deflagração da nova fase da Operação Overclean, na última terça-feira (13), que teve o deputado federal e presidente do PDT na Bahia, Félix Mendonça Jr., como um dos alvos, o clima dentro do PDT da Bahia é de absoluto silêncio.

A investigação da Polícia Federal (PF) que apura indícios de desvio de emendas parlamentares virou praticamente um tabu entre dirigentes e correligionários. Em conversas com o BNews, membros do partido revelaram que o assunto é evitado em conversas formais e informais.

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Lideranças pedetistas têm adotado postura cautelosa, evitando comentários públicos ou avaliações internas mais contundentes sobre o impacto da operação. De acordo com relatos à reportagem, apesar de não haver uma orientação tácita, o ideal é não "esticar o assunto" e aguardar os desdobramentos das investigações.

Nos bastidores, a sensação é de constrangimento. Apesar disso, integrantes do PDT desconversam sobre um possível desgaste com Félix Mendonça Jr. e reforçaram apoio ao parlamentar — apesar de alguns membros do partido demonstrarem preocupação com possíveis reflexos eleitorais.

Internamente, a Overclean colocou uma 'pimenta' a mais dentro da sigla, que já vive uma clima de racha após o rompimento com o União Brasil e a ida para a base do governo Jerônimo Rodrigues, justamente por ainda possuir muitos membros com forte aliança junto ao grupo político de ACM Neto.

Em nota enviada ao BNews no última dia 13, o Félix Mendonça Jr. afirmou que reagiu com estranheza à operação, "especialmente diante da inexistência de fatos novos que justifiquem a medida".(Confira o posicionamento de Félix Mendonça Jr. na íntegra).

Nona fase da operação Overclean, deflagrada na última terça-feira (13) | Divulgação PF

Félix na mira da PF

Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), na última terça-feira (13), como parte da  nona fase da Operação Overclean. Agentes da PF foram ao apartamento funcional que o deputado usa em Brasília. A ordem veio do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mandados também foram cumpridos em sua residência, na Mansão Wildberger, edifício residencial de luxo localizado no Corredor da Vitória, e em seu escritório, na região da Vasco da Gama, em Salvador. 

A investigação apura desvio de dinheiro público de emendas parlamentares, além de suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal, junto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, cumpre nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal.

Por decisão do STF, também foram bloqueados R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e empresas investigadas na operação. O objetivo é parar a movimentação desse dinheiro de origem suspeita e garantir que ele possa ser devolvido aos cofres públicos, se for o caso.

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