Política
Publicado em 10/09/2026, às 22h17 Reprodução / Youtube / SBT Redação Bnews
O presidente Lula defendeu, nesta quinta-feira (10), as decisões tomadas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, na véspera, mas afirmou esperar que o ministro adote outras medidas para enfrentar a crise que atinge a Corte. Em entrevista ao SBT, Lula disse que Fachin “agiu corretamente” e que deve assumir a condução dos processos para “colocar ordem na casa”.
Lula também criticou os conflitos públicos entre integrantes do Supremo. Segundo ele, os ministros não podem protagonizar discussões diante da sociedade. “Não é possível, não é aceitável que, diante da sociedade, fiquem os ministros da Suprema Corte brigando um com outro, dando declaração um contra o outro e a sociedade passiva assistindo”, afirmou. Para o presidente, é necessário recuperar a credibilidade da Corte.
O presidente defendeu ainda que eventuais suspeitas contra ministros sejam investigadas, independentemente de quem esteja envolvido. Ao citar Alexandre de Moraes, André Mendonça e o próprio Fachin, Lula afirmou: “Se o Moraes é o culpado, tem que pagar, se o Mendonça é o culpado, tem que pagar, se o Fachin é culpado, tem que pagar”. E acrescentou: “Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da Constituição. A lei está acima de tudo e a verdade é soberana”.
Lula também se mostrou favorável a uma reforma do Judiciário que inclua a discussão sobre mandatos para ministros do Supremo. Ele criticou ainda a atuação de escritórios de advocacia ligados a integrantes da Corte em processos no próprio tribunal. “Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo. Ninguém pode ter escritório trabalhando na Suprema Corte”, declarou. Questionado sobre qual seria a duração ideal dos mandatos, o presidente não especificou e disse que pretende discutir o assunto com a sociedade.
Outro ponto abordado na entrevista foi o sigilo dos inquéritos em tramitação no STF. Lula defendeu que as investigações sejam abertas para evitar o que classificou como “vazamento seletivo”. “Tem que fazer abertura do sigilo de todo mundo. Colocar todo mundo nu diante da sociedade brasileira para ver se a Suprema Corte recupera a sua credibilidade”, afirmou. O presidente disse ter conversado sobre o assunto com Fachin e outros ministros.
Na quarta-feira (9), Fachin tomou uma série de decisões relacionadas à crise no Supremo. Entre elas, marcou para a próxima terça-feira (15) o julgamento de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, assumiu a condução do inquérito das fake news, retirando Moraes da função, e suspendeu decisões relacionadas ao afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Lula afirmou que a crise não afeta seu governo e ressaltou que o Executivo “não tem nada a ver” com a situação.
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