Política
Publicado em 26/10/2026, às 06h48 Divulgação Tiago Di Araújo
Mais de 35 mil confirmações de voto para presidente foram registradas após as 17h no segundo turno das eleições, realizado neste domingo (25). O levantamento foi feito pela equipe de Tecnologia Digital de Jornalismo da TV Globo a partir dos arquivos que registram o funcionamento das urnas eletrônicas, com dados extraídos até as 6h desta segunda-feira (26).
Nos 5.571 municípios brasileiros, sem considerar a votação no exterior, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu cerca de 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somou aproximadamente 59,6 milhões. A diferença entre os candidatos foi de 4,4 milhões de votos.
Mesmo que todas as 35.521 confirmações identificadas após as 17h fossem destinadas a Lula, o número representaria menos de 1% da vantagem do presidente eleito sobre o adversário. Os dados, portanto, mostram a dimensão limitada desse grupo de registros em comparação com a diferença nacional entre os candidatos.
A votação estava prevista para terminar às 17h, mas o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do horário até as 19h. Posteriormente, esclareceu que a medida se aplicava apenas aos locais em que as urnas ainda estavam abertas no momento da decisão.
Para identificar as confirmações feitas depois do horário inicialmente previsto, a equipe de jornalismo analisou os chamados logs das urnas eletrônicas. Esses arquivos registram as operações realizadas pelos equipamentos e os respectivos horários, incluindo o início da votação e as confirmações de votos, sem revelar a identidade dos eleitores ou em quem votaram.
O levantamento reuniu informações de 497.897 seções eleitorais. Desse total, 456.074 foram classificadas como conciliadas, enquanto 41.823 permaneciam pendentes de validação na base analisada.
Das 35.521 confirmações identificadas após as 17h, 30.866 estavam em seções cuja transmissão aparecia como “Totalizado”. As outras 4.655 correspondiam a seções que ainda aguardavam validação.
Os arquivos analisados têm funções diferentes no processo eleitoral. Os boletins de urna (BUs) apresentam os resultados de cada seção; os Registros Digitais do Voto (RDVs) armazenam os votos sem identificar os eleitores; e os logs documentam os eventos e horários de funcionamento dos equipamentos.
A ampliação do horário ocorreu após as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro solicitarem mais tempo para a votação, citando dificuldades enfrentadas por eleitores em diferentes regiões do país.
A campanha petista apontou problemas no transporte público, incluindo redução da frota de ônibus, longas esperas e denúncias de cobrança indevida de passagens. Em São Paulo, a equipe de Lula alegou que cerca de 60% dos ônibus estavam em circulação na capital, apesar de uma determinação judicial para disponibilização da frota integral.
Também foram relatadas dificuldades de transporte em outros estados, entre eles Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro.
Já a campanha de Flávio pediu a extensão do horário em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. O pedido mencionava fortes chuvas, enchentes e falta de energia em locais de votação.
Diante das solicitações, Zanin determinou a extensão do prazo até as 19h. A decisão, porém, não autorizou a reabertura de urnas cujo procedimento de encerramento já havia sido concluído.
A decisão judicial também teve impacto temporário na rotina de apuração. Após a determinação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interrompeu o recebimento dos boletins de urna enquanto ajustava os procedimentos necessários para cumprir a nova orientação.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a medida criou dificuldades operacionais, mas sustentou que as equipes técnicas conseguiram contornar os problemas e retomar a apuração com segurança.
“Como a decisão foi proferida após as 17h, milhares de urnas no Brasil já estavam encerradas e a sua programação impede a reabertura. Tivemos que promover o bloqueio do recebimento dos Boletins de Urna a fim de assegurar absoluta segurança que as informações nele constantes não fossem de conhecimento nem do próprio TSE”, declarou o ministro.
Em manifestação após a conclusão da apuração, Nunes Marques descartou que a ampliação do horário tenha interferido no resultado da eleição.
“Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”, afirmou.
Após a confirmação da derrota, Flávio Bolsonaro declarou que não reconhecia o resultado das eleições e anunciou que recorreria à Justiça para pedir a anulação da disputa. O senador questionou a decisão de prorrogar o horário de votação e afirmou que sua equipe jurídica tomaria providências.
“É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou.
Nunes Marques, por sua vez, confirmou oficialmente a vitória de Lula e afirmou ter segurança no processo eleitoral. O presidente do TSE também informou que telefonou para os dois candidatos ao final da apuração.
O resultado nacional confirmou Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos de Flávio Bolsonaro, que obteve 48,21%.