Política

PF aponta uso de emendas ligadas a Valdemar para bancar shows no interior

Investigação aponta que Valdemar Costa Neto seria o verdadeiro responsável pelas indicações das emendas, levando a ações judiciais contra ele.  |  Beto Barata/PL/Divulgação

Publicado em 11/07/2026, às 09h27   Beto Barata/PL/Divulgação   Daniel Serrano

Emendas parlamentares investigadas pela Polícia Federal (PF) por supostamente terem sido indicadas pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foram usadas para custear shows em municípios do interior de São Paulo e do Paraná. As informações são da coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, com base em dados da plataforma Transferegov.

De acordo com a publicação, as emendas foram destinadas para quatro cidades: Iepê (SP), Guaimbê (SP), Macedônia (SP) e Cafelândia (PR). O montante foi usado na contratação de atrações musicais para festas municipais.

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Em Iepê, município com cerca de 7,6 mil habitantes, uma das emendas investigadas financiou os shows da banda Traia Véia e da dupla Thaeme & Thiago durante a 4ª Agrofest, realizada em novembro de 2025. Cada apresentação teve cachê de R$ 250 mil.

Já em Guaimbê, também no interior paulista, recursos custearam a apresentação da dupla Thaeme & Thiago na Festa do Peão de Boiadeiro, realizada no mesmo período. O show teve custo de R$ 280 mil. A dupla sertaneja também foi contratada com recursos federais para tocar em Cafelândia (PR), cidade de aproximadamente 19 mil habitantes. 

Outro caso citado envolve Macedônia (SP), município com menos de 4 mil habitantes, onde as emendas foram usadas para contratar a cantora Mariana Fagundes durante a festa de aniversário da cidade, em outubro de 2025.

Segundo documentos divulgados pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, a indicação das emendas era atribuída à liderança do PL. No entanto, a investigação da PF indica que o real autor das indicações seria Valdemar Costa Neto, o que levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, a determinar o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL. O magistrado ainda determinou a suspensão da execução de todas as despesas listadas pela corporação.

Em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto disse ter recebido com surpresa a decisão de Flávio Dino. “Com o devido respeito, a decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”, afirmou.

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