Política

"Reconhecidamente inimigo de Flávio Dino", diz defesa sobre alvo de ação de Moraes

A defesa de Cutrim critica a operação e menciona rivalidade com Flávio Dino, destacando a proteção das fontes jornalísticas  |  Reprodução / Instagram

Publicado em 12/08/2026, às 18h42   Reprodução / Instagram   Davi Lemos

A defesa de Raimundo Cutrim, alvo de busca e apreensão na terça-feira (11) por supostamente ter atuado como fonte do jornalista maranhense Luís Pablo, questionou as circunstâncias da operação e mencionou uma antiga rivalidade política entre o ex-secretário e o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota divulgada nesta quarta-feira (12), o advogado José Berilo de Freitas Leite Filho afirmou que Cutrim já havia relatado publicamente, antes das diligências, receber informações de que poderia ser preso. Segundo a defesa, ele manifestou “surpresa e estranheza em ser processado por alguém que é seu reconhecidamente inimigo político pessoal”.

O advogado lembrou que, em 17 de julho, Cutrim foi alvo de mandado de busca e prisão preventiva decretado por Dino, posteriormente convertido em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Menos de um mês depois, ocorreu a nova busca e apreensão, desta vez determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. A defesa também voltou a mencionar as reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais pela família de Dino, afirmando que, “até onde se tem notícia”, as denúncias continuam sem apuração.

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Sobre a suspeita de que Cutrim tenha fornecido informações a Luís Pablo, a defesa alegou não poder confirmar ou negar a versão porque o processo tramita sob sigilo. O advogado, porém, questionou os efeitos da investigação sobre a proteção das fontes jornalísticas. “O sigilo da fonte é garantia expressa do art. 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, e a medida instaura precedente que ameaça não apenas a imprensa, mas todo e qualquer cidadão que comunique fatos de interesse público a um jornalista”, declarou. “Primeiro o jornalista, alvo de operação em março; agora a sua fonte. Investigam-se quem revelou a irregularidade, mas não a irregularidade em si”, acrescentou.

A nota também rebateu qualquer associação de Cutrim à movimentação de R$ 100 mil identificada na investigação e relacionada ao jornalista. Segundo o advogado, as informações divulgadas indicam que a transação envolveria Luís Pablo e seu advogado, “pessoa sem qualquer vínculo com o Sr. Raimundo Cutrim”. A defesa acrescentou que nenhuma das decisões tornadas públicas atribui ao ex-secretário participação na movimentação financeira e informou que eventuais esclarecimentos serão apresentados após o acesso integral aos autos.

Ao final, a defesa ressaltou a trajetória de Cutrim no serviço público e afirmou que ele nunca foi condenado pela prática de ilícitos. “O Sr. Raimundo Cutrim dedicou décadas ao serviço público, jamais foi condenado por qualquer ilícito e reafirma sua confiança na Justiça e no devido processo legal”, afirmou o advogado, acrescentando que o ex-secretário permanece à disposição para prestar os esclarecimentos solicitados.

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