Política
Publicado em 09/09/2026, às 15h53 BNews Redação BNews
O ex-presidente Michel Temer defende que a crise que envolve os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça seja solucionada dentro do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), sem a participação direta dos demais Poderes da República. A avaliação foi transmitida ao jornalista Léo Arcoverde, da GloboNews. O cacique emedebista foi o responsável pela indicação de Moraes para uma vaga no Supremo, em 2017, durante seu governo.
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Segundo o relato do jornalista, o veterano considera que uma saída institucional para a crise deve passar pelo próprio plenário da Corte. A avaliação contrasta com a possibilidade de uma articulação envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Na visão do ex-presidente, uma solução construída entre os Poderes poderia ampliar a crise, enquanto um entendimento entre os próprios ministros teria maior potencial para preservar a autonomia e a autoridade institucional do Supremo. Temer também teria defendido, em um cenário ideal, uma aproximação pública entre Moraes e Mendonça.
O conflito ganhou força após a divulgação de mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material revelou uma relação de proximidade entre Vorcaro e Moraes e passou a ser analisado por Mendonça, relator das investigações relacionadas ao caso.
A crise se agravou quando Moraes pediu que Mendonça fosse investigado por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O ministro alegou que o colega teria direcionado investigações contra ele.
Na terça-feira (8), Mendonça elevou ainda mais a temperatura ao determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada. O ministro apontou irregularidades em um relatório de inteligência da PF utilizado no contexto da disputa com Moraes.
A decisão provocou reação dentro da própria Corte. Nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Rodrigues e Almada aos cargos. Ao mesmo tempo, Fachin cancelou a sessão plenária prevista para o dia.