Salvador
Publicado em 03/03/2025, às 09h11 Reprodução Thiago Teixeira e Davi Lemos
A Mudança do Garcia traz, há 95 anos, um momento de irreverência e protesto no Carnaval de Salvador. São inclusive comuns, neste quase centenário, os registros de movimento de "fuga" dos políticos de seus camarotes oficiais para não serem alvos das críticas mordazes estampadas nos cartazes, cujas frases, a cada ano, fica sob a responsabilidade de um dos integrantes mais antigos.
"A Mudança do Garcia é um momento da demonstração da nossa resistência, [de denunciar] as coisas que naturalmente não agradam o povo como um todo. É ali que se colocam os protestos de forma aberta e sem restrições: naturalmente quer esteja levando algum elogio ao governo ou criticandoi por ações erradas do próprio governo", disse João Barroso, de 82 anos, dono do Restaurante Aconchego da Juju, onde os integrantes dos blocos costumam ficar.
Barroso lembra que começou sua atuação na Mudança ainda no período dos "anos de chumbo" da Ditadura Militar.
"Eu vivi o período de chumbo. Em 1964, quando rompeu a revolução de 64, em março, eu servia à Marinha e nós tínhamos uma associação de marinheiros e fuzileiros navais que se colocou a favor de buscar melhorias e condições até mesmo das reformas que o governo pretendia fazer naquele momento. Por conta disso, criou-se um ambiente meio hostil e a Marinha achou por bem até de nos tirar do ambiente que nós estávamos - estávamos em um sindicaro, dos metalúrgicos - e nos tiraram de lá à força, dessa forma e nós resistimos a tudo isso e foi muito brilhante e marcou na história de vida nossa. Hoje estou reintegrado à Marinha na condição de anistiado político militar", contou o folião octagenário.
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