Salvador

Investigação sobre nova Rodoviária de Salvador aponta ausência de estudos ambientais prévios

Auditoria revela ausência de estudos ambientais antes do edital da nova Rodoviária de Salvador, gerando preocupações sobre viabilidade.  |  Mateus Pereira/GOVBA

Publicado em 26/03/2025, às 09h20   Mateus Pereira/GOVBA   Thiago Teixeira

A auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) sobre o edital de concessão da nova Rodoviária de Salvador, que está sendo erguida no bairro Águas Claras, identificou ausência de estudos ambientais prévios ao lançamento do certame, ainda em 2019. A responsabilidade por esse planejamento era da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (Agerba)

Na última segunda, o BNews já havia trazido com exclusividade que o diretor da Agerba, Carlos Henrique de Azevedo Martins, foi multado por sonegar de informações "imprescindíveis" para análise das receitas do fluxo de caixa em uma investigação do TCE-BA, sobre o edital de concessão da nova Rodoviária de Salvador.

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De acordo com documentos obtidos pelo BNews, à época, uma das linhas de investigação da Coordenadoria de Controle Externo (CCE) do Tribunal apurava a falta de estudos preliminares indispensáveis para embasar o anteprojeto do equipamento. Havia a suspeita de que a ausência de estudos prejudicasse a viabilidade ambiental do empreendimento.

No sítio eletrônico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) consta que a análise prévia é obrigatória para empreendimentos e atividades classificados Polo Gerador de Tráfego (PGT) — empreendimentos capazes de alavancar o fluxo de pessoas e veículos, impactando o trânsito. Ou seja, como a nova Rodoviária de Salvador deveria seguir as leis municipais, o ideal é que o governo da Bahia tivesse encomendado estudos antes do edital ser publicado. 

Verifica-se que o estudo de viabilidade utilizado para embasar o processo licitatório do Novo Terminal Rodoviário de Salvador não englobou os aspectos ambientais do futuro empreendimento, seja quanto à localização propriamente dita, seja quanto ao fato de o terreno escolhido para implantação do referido equipamento ter sido utilizado como Aterro de Resíduos da Construção Civil”, dizia trecho do relatório do TCE.

A Agerba deixou a cargo da empresa vencedora as análises em relação à viabilidade ambiental do projeto. Em seu relatório, o TCE cita que a ausência de detalhamento dos estudos foram objeto de questionamentos por parte de interessados em participar do edital de concessão do equipamento.

Vale lembrar que a nova Rodoviária de Salvador foi tema da última edição do BNews Premium — que revelou uma série de irregularidades que vão desde a elaboração do edital até a execução das obras, que acumulam atrasos e até abandono por parte de uma das empresas.

A repercussão da reportagem acarretou na manifestação pública do governador Jerônimo Rodrigues (PT) sobre o caso, na última terça-feira (25). Na oportunidade, o chefe do executivo baiano afirmounão concordar com a postura da Agerba e que não vai “passar a mão pela cabeça de ninguém”.

O BNews tentou contato com Agerba reiteradas vezes desde a última quarta-feira (19). No entanto, até o fechamento desta reportagem, nenhum posicionamento foi enviado. O espaço segue aberto e a matéria será atualizada em caso de eventual manifestação futura.

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