Salvador

Organização criminosa: MP faz nova denúncia contra donos da Premium Car Motors e pede decretação de prisão preventiva

Marcelo dos Santos Gil e Alicia Andrade Rodrigues já são acusados de estelionato e apropriação indébita  |  Reprodução/Premium Car

Publicado em 23/02/2026, às 10h18 - Atualizado às 10h19   Reprodução/Premium Car   Lucas Pacheco

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) ofereceu à justiça uma nova denúncia contra Marcelo dos Santos Gil e Alicia Andrade Rodrigues, proprietários da Premium Car Motors, revendedora de veículos de luxo investigada por diversos golpes contra clientes na capital baiana, e pediu a decretação da prisão preventiva dos dois. A empresa, localizada em um edifício empresarial de alto padrão no bairro do Caminho das Árvores, em Salvador, revendeu diversos veículos sem avisar aos proprietários e sem repassar os valores das negociações.

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O BNews denunciou o caso, com exclusividade, em setembro de 2025, a partir de inúmeros relatos de vítimas. As informações apontavam, à época, que a loja negociava veículos de luxo, sem comunicar aos proprietários e sem repassar os valores das vendas. Além disso, informava aos donos que seus carros estavam em exposição, com visitas de supostos interessados, quando, na verdade, já haviam sido revendidos e estavam rodando pela cidade nas mãos dos novos proprietários. 

Outros relatos indicavam ainda que alguns compradores enfrentaram dificuldades para a transferência de documentação, obtenção de chaves reservas e outras dores de cabeça. Sobre um dos golpes, uma vítima afirmou à polícia que se espantou com um e-mail enviado pelo Departamento Estadual de Trânsito da Bahia – DETRAN-BA, de que teria havido sucesso na transferência da titularidade de seu veículo para outra pessoa, já que ele não tinha assinado o DUT (Documento Único de Transferência), obrigatório para a venda de veículos usados no Brasil, que oficializa a transferência de propriedade entre vendedor e comprador.

Em dezembro, o Ministério Público da Bahia apresentou a primeira denúncia à justiça apontando a prática de estelionato e apropriação indébita por Marcelo dos Santos Gil e Alicia Andrade Rodrigues. A promotora Adriana Teixeira Braga afirmou que os denunciados tinham clara intenção de obter vantagem às custas de prejuízos das vítimas. 

"A conduta dos denunciados revela um modus operandi reiterado e profissional de estelionato e apropriação indébita. O Relatório Final aponta diversos outros inquéritos com vítimas lesadas sob o mesmo esquema (...). A forma como agiram demonstra que houve intenção de obtenção de vantagem em detrimento do prejuízo da vítima afastando qualquer hipótese de mera inadimplência contratual", disse Adriana.

Na denúncia levada à justiça agora em fevereiro de 2026, a partir de outros relatos, de mais desdobramentos das investigações, inclusive com o depoimento de novas vítimas, o MP-BA volta a afirmar a prática do crime de estelionato, mas também aponta o cometimento do delito de falsificação de documento particular.

O órgão ministerial alega ainda que os crimes foram praticados por meio do concurso de pessoas, quando duas ou mais pessoas colaboram, de forma voluntária e consciente, para a prática da mesma infração penal, e  concurso material de crimes, quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não. Diante dos fatos, o MP indica a formação de uma organização criminosa.  

A promotora de justiça Cecília Pondé Luz do Nascimento, que assina a segunda denúncia, afirma que, a partir do inquérito policial que apurou os golpes sofridos por outras duas vítimas, ficou constatado que os denunciados "em comunhão de designíos iniciaram uma série de crimes"

O Ministério Público destaca que, neste novo inquérito, um homem relata que compareceu  à Premium Car Motors com o intuito de adquirir um novo veículo, sendo recepcionado por Marcelo, que se apresentava como proprietário. Ele realizou a compra de um automóvel Range Rover Evoque, no valor de R$ 325 mil e efetuou o pagamento do valor por transferência bancária, diretamente para a conta da empresa dos imputados. Entretanto, somente recebeu a documentação de rodagem que, à época, encontrava-se em nome do suposto antigo proprietário.

Posteriormente, constatou-se que o veículo era, na verdade, de propriedade de uma teceira pessoa, também vítima da loja, que havia comprado o mesmo carro no local, estando o bem alienado fiduciariamente a uma empresa financeira, com um financiamento vigente no valor de R$ 236 mil. 

Ainda de acordo com o MP, em uma das tratativas com Marcelo Gil, o comprador da Range Rover Evoque recebeu um comprovante de pagamento no valor de R$ 236 mil, que comprovaria a quitação da divida do financiamento. Porém, ao consultar a financeira, a vítima descobriu que se tratava de uma nova fraude, já que foi informada que o valor nunca foi creditado e a dívida do referido financiamento continuava vigente. 

No final da denúncia, a promotora, além de pedir que justiça da Bahia receba o documento que incrimina Marcelo dos Santos Gil e Alicia Andrade Rodrigues pelo cometimento de estelionato e falsificação de documento particular, com indicativo de formação de uma organização criminosa, solicita que seja decretada a prisão preventiva dos dois, justificando a quantidade expressiva de vítimas e o comportamento reiterado de prática de crimes. 

"Por fim, tendo em vista a quantidade expressiva de ocorrências registradas (BO 749538/2025, BO 749461/2025, BO 745727/2025, BO 745184/2025, BO 744932/2025, BO 737878/2025, BO 737156/2025, BO 734540/2025, BO 734059/2025, BO 690037/2025, BO 684817/2025), o que demonstra que a conduta não se trata de episódio isolado, mas sim de esquema criminoso estruturado, caracterizado por modus operandi padronizado, com lesões patrimoniais de grande vulto e impacto significativo na ordem econômica local, bem como a pluralidade de vítimas que reforça a habitualidade delitiva, se torna imprescindível a DECRETAÇÂO DA PRISÃO PREVENTIVA dos denunciados, presentes os requisitos e hipóteses de sua decretação ainda mais porque os imputados foragiram e atualmente estão com paradeiro desconhecido".

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) também requer o ressarcimento às duas vítimas do inquérito que resultou na nova denúncia, no valor de R$ 594 mil. 

Ainda não há no processo manifestação da 15ª Vara Criminal de Salvador, onde tramita a Ação Penal. 

Classificação Indicativa: Livre


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