Salvador

Prefeitura manobra e pode permitir novos espigões na orla de Salvador; entenda

Projeto altera ordenamento da prefeitura sobre limites de construções de edifícios na orla de Salvador  |  Valter Pontes/Secom/PMS

Publicado em 26/09/2025, às 16h37   Valter Pontes/Secom/PMS   Matheus Simoni

Horas depois de aprovar um projeto que altera a Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (Louos), em votação realizada na Câmara de Salvador na última quarta-feira (24), o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), enviou um novo texto para mudar o regramento. Dessa vez a proposta abre uma brecha que permite uma verticalização ainda maior na faixa litorânea da capital baiana.

O projeto inicia propondo uma regulamentação de elevadores da cidade. No entanto, o trecho seguinte traz uma alteração lei que trata do limite vertical dos prédios de Salvador. Um dos artigos propostos pelo prefeito altera a Louos para ampliar as possibilidades de dispensa do estudo de sombreamento.

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Como regra geral, o limite é fixado por faixas, de 36m na borda mais próxima da praia até 75m para quadras internas da orla, mas há uma exceção, já que imóveis degradados podem aumentar o potencial construtivo em até 50%, e nestes casos, em que a nova construção tomará o lugar de uma ruína, o estudo de sombreamento somente é exigido para construções acima de 75m.

Com a mudança, a limitação de 75m para a dispensa de estudo de sombreamento deixará de existir para os casos de "incentivos à regeneração urbana por meio da substituição de edificações deterioradas", permitindo que novos prédios, ainda que bem próximos à faixa de areia, sejam erguidos com mais de 75m sem qualquer estudo de sombreamento das praias.

Diante da permissão, é possível que Salvador possa vivenciar a construção de prédios de até 112 metros na orla da cidade, com edifícios de até 35 andares sem estudo de sombreamento. Para efeito de comparação, o prédio mais alto de Salvador fica no Corredor da Vitória. Trata-se da Mansão Wildberger, que possui 154,5 metros de altura, sendo atualmente o edifício mais alto da Bahia e o segundo maior do Brasil, com 40 andares.

O projeto enviado à Câmara ainda não tem data para votar. O texto foi enviado pelo prefeito em regime de urgência. Na avaliação de Bruno Reis, torna-se necessário "atualizar os dispositivos da LOUOS que orientam este importante instrumento de ordenamento urbanístico – que já colheu importantes frutos desde que entrou em vigor – para que seja melhor aplicado como estímulo à implantação de empreendimentos que gerem emprego e renda aos munícipes, bem como aperfeiçoadas as análises técnicas requeridas durante os processos de licenciamento pelo órgão municipal competente".

Projeto ainda precisa de aval de vereadores, que votaram alterações na Louos na última semana (Foto: Antônio Queirós/CMS)

Mudança polêmica

Na última semana, a Câmara Municipal de Salvador (CMS) aprovou o Projeto de Lei nº 175/2024, de autoria do Executivo, que altera a Louos, ignorando uma recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) para que o Legislativo não apreciasse a proposta sem a realização de estudos técnicos e a efetiva participação popular.

Segundo a promotora Hortênsia Gomes Pinho, autora da recomendação, as mudanças são discutidas no momento em que a prefeitura já contratou, por R$ 3,6 milhões, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para conduzir o processo oficial de revisão do PDDU e da Louos. O texto foi aprovado pelos vereadores da base, mesmo com voto contrário da oposição.

Entre as alterações propostas pelo PL estão a inclusão de um sistema viário dentro da poligonal do Parque Ecológico do Vale Encantado, a criação de Zonas de Uso Especial em áreas como Iguatemi, Rio Vermelho e Pituaçu, além de modificações em mapas de áreas de proteção ambiental e de interesse social. Após a votação, a promotora recomendou que o prefeito Bruno Reis não sancione o projeto.

Classificação Indicativa: Livre


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