Saúde

Atriz americana Jennifer Lawrence fala sobre depressão pós-parto e reacende debate sobre saúde mental materna

Atriz descreveu o pós-parto como "extremamente isolador" e falou sobre sua batalha contra a ansiedade  |  Divulgação / Freepik

Publicado em 12/12/2025, às 14h29 - Atualizado às 14h35   Divulgação / Freepik   Verônica Macedo

Recentemente, no festival de Cannes, na Riviera Francesa a atriz hollywoodiana, Jennifer Lawrence, emocionou o mundo ao falar de forma transparente sobre a saúde mental no pós-parto. Ela o descreveu como "extremamente isolador" e revelou sua batalha contra a ansiedade. Mas quando uma estrela do cinema mundial aborda algo que é tão estigmatizado, de que forma isso ajuda ou prejudica a compreensão pública da saúde mental materna?

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), em todo o mundo, cerca de 10% das gestantes e 13% das puérperas sofrem de algum transtorno mental, principalmente depressão, condição que, se não identificada e tratada, pode trazer riscos para a saúde da mãe e do bebê.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

A psicóloga Ethel Poll, coordenadora do Programa de Depressão Resistente da Clínica Holiste esclarece que, no momento em que uma figura pública compartilha sua vulnerabilidade, o tema passa a ter um novo olhar e maior visibilidade permitindo que muitas mulheres se sintam mais seguras para reconhecer e falar sobre suas fragilidades e dificuldades.  “A representatividade vinda de uma celebridade sobre determinado tema, ajuda a ampliar à discussão fazendo com que o que é da ordem do privado se torne publico e aberto ao debate”. 

Jennifer Lawrence, uma mulher linda, jovem e bem-sucedida, amada pelos seus fãs por irradiar carisma , autenticidade e alegria, mencionou que sentia "como se um tigre estivesse a persegui-la todos os dias" e tinha "pensamentos intrusivos". Em entrevista ao BNews, a psicóloga explica o que esses sintomas revelam sobre a natureza da ansiedade e depressão pós-parto.

“A metáfora do tigre traduz de forma clara o que muitas mães sentem: uma pressão invisível, exaustiva, que o corpo interpreta como ameaça real. No aspecto biológico, estes sintomas revelam que o cérebro está em estado de hipersensibilidade e desregulação, capturando qualquer medo e ampliando-o. O bebê completamente dependente coloca a mãe diante de uma responsabilidade inédita, que pode trazer sensação de incapacidade ou medo de falhar, gerando uma pressão que, no momento, a mãe não está conseguindo lidar por diversos motivos: falta de suporte, questão hormonal, exaustão, solidão, privação do sono, medo etc. Os pensamentos intrusivos revelam que a mãe esta em claro sofrimento psicológico e precisa de atenção especial”, salienta a especialista.

Ainda em relação aos sintomas pós-parto, a atriz relacionou sua experiência com um desequilíbrio hormonal e o uso de um medicamento específico (Zurzuvae), o qual, segundo ela, a ajudou. Questionada sobre qual a importância de abordar os aspectos biológicos no tratamento, além do suporte psicológico, a Ethel Poll, ressaltou que a fala de Jennifer Lawrence sobre o desequilíbrio hormonal no pós-parto e o uso do medicamento Zurzuvae evidencia a importância de integrar aspectos farmacológicos e psicológicos no cuidado da saúde mental materna.

“O pós-parto envolve uma queda abrupta de hormônios, que afeta diretamente o humor, o sono e a capacidade de lidar com o estresse, de modo que, em muitos casos, o suporte emocional sozinho não é suficiente para aliviar sintomas como ansiedade intensa, hipervigilância e pensamentos intrusivos. É imprescindível o suporte médico para avaliação desta questão hormonal e seus efeitos, e do apoio psicológico para trabalhar culpa, ambivalências e expectativas maternas. Integrar essas duas dimensões não só melhora os resultados clínicos, como também reduz o estigma, mostrando que a depressão pós-parto é uma condição médica real que merece tratamento completo e multiprofissional”, pontua a psicóloga.

Outra questão que chamou a atenção no desabafo de Jennifer foi ela ter relatado ter tido a sensação de que seu bebê estava morto enquanto dormia. Dessa forma, surge a pergunta: como os profissionais de saúde mental abordam esses pensamentos intrusivos e assustadores com as pacientes? 

De acordo com a coordenadora do Programa de Depressão Resistente da Clínica Holiste, é importante tomar estes pensamentos com seriedade e acolhimento, evitando qualquer julgamento. Ethel frisa ser essencial esclarecer que esse tipo de pensamento é mais comum do que se imagina em quadros de ansiedade e depressão pós-parto, e que não significa risco real ou perda de controle.

“É importante avaliar a frequência e o impacto dessas ideias. Geralmente eles estão aliados a fatores como privação de sono, sobrecarga e estresse emocional. O suporte psicológico tem por objetivo reduzir a sintomatologia depressiva, devolver segurança à mãe e garantir que ela não enfrente sozinha uma experiência que, embora assustadora, pelo quadro depressivo, é tratável e merece acompanhamento cuidadoso”, conclui.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSaúdedepressãoOMSgestantessintomasansiedadejennifer lawrencesolidãomentalSuportepuérperaspós-partoEthel poll

Leia também


Nova pílula faz o corpo queimar gordura até dormindo, aponta estudo


Especialista alerta para sinais do câncer de pele e reforça cuidados do Dezembro Laranja