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BNews Outubro Rosa: Mulheres negram enfrentam mais obstáculos na luta contra o câncer de mama; entenda

Desigualdade no acesso à saúde e racismo são fatores que agravam a situação das mulheres negras no combate ao câncer de mama  |  Ilustrativa/Freepik

Publicado em 20/10/2025, às 06h00   Ilustrativa/Freepik   Redação BNews

O câncer de mama chega às mulheres sem fazer qualquer distinção de raça. A doença não só invade o corpo de forma agressiva e afeta a saúde física, mas também interfere no psicológico, provocando medo, ansiedade e insegurança. O que muitas pessoas não sabem, no entanto, é que as mulheres negras enfrentam caminhos mais difíceis na luta contra a doença.

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Uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon, em parceria com o Observatório de Oncologia, apontou que apenas 24% das mulheres que fazem o exame de mamografia são negras. Elas, no entanto, representam 47% dos casos graves da doença.

A realidade é reforçada por um artigo científico publicado em abril de 2024 na revista internacional BreastCancerResearchandTreatment, que investigou as taxas de incidência e mortalidade por câncer de mama entre diferentes grupos raciais no Brasil. De acordo com o estudo, embora a taxa mediana de incidência da doença seja maior entre mulheres brancas, as negras recebem diagnóstico em estágio mais avançado (60,1% em relação a 50,6%), além de terem uma taxa de mortalidade 3,83 vezes maior.

Segundo a oncologista Ana Amélia de Almeida Viana, especialista em tumores mamários e ginecológicos e coordenadora do Comitê de Diversidade da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a desigualdade no acesso à prevenção e ao tratamento é o principal fator por trás desses números.

"As diferenças raciais levam a um aumento de mortes que não se explica do ponto de vista da saúde. A única explicação é o racismo. Não é uma questão ligada à genética, é uma questão de ausência de cuidados", explica a médica, em entrevista ao portal Oncoguia.

Ainda segundo ela, como a maioria das mulheres negras no Brasil depende do Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso aos exames de rastreamento é menor.

"As dificuldades incluem] poucos mamógrafos, que estão localizados em regiões mais centrais das cidades, e menos acesso a especialistas (pacientes negras demoram mais a conseguir consultar um mastologista, por exemplo, mesmo após ter o resultado de mamografia alterado). No SUS, apenas 34% das mulheres fazem diagnóstico de câncer de mama através de rastreamento. A maioria recebe o diagnóstico depois que já está com sintomas, o que reduz as chances de cura, e 70% das usuárias do SUS são negras. Depois do diagnóstico, vimos que a lei dos 60 dias ainda não é colocada em prática, então há muita demora no início do tratamento, na adesão destas mulheres ao tratamento devido a um baixo suporte social", destaca ao portal Dráuzio Varela.

Como mudar a atual realidade?

Para Ana Amélia, algumas políticas públicas são cruciais para ajudar a reduzir as desigualdades no tratamento do câncer de mama:

"É preciso promover o letramento sobre raça e saúde, alertando a comunidade sobre a importância de conhecer os mecanismos de adoecimento dessa população e como o racismo pode impactar a sua saúde, bem como alertar sobre atitudes racistas dentro do ambiente institucional”, afirma.

Mortes na Bahia

Até o dia 18 de setembro, 912 pessoas morreram de câncer de mama na Bahia, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab). O número equivale a uma média de três mortes por dia ou 106 por mês.

Para este ano, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o estado deve registrar 4.230 novos casos da doença.

Entre os principais fatores de risco para a doença estão idade avançada, menopausa tardia, histórico familiar, dieta rica em gordura e obesidade. A Sesab alerta que as mulheres devem prestar atenção em alguns sinais específicos que podem indicar câncer de mama. São eles:

Classificação Indicativa: Livre


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