Saúde

BNews Outubro Rosa: como a tecnologia está mudando a prevenção e o tratamento do câncer

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De vacinas a cirurgias menos invasivas, especialistas destacam avanços contra o câncer de mama e do colo do útero  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa/Freepik
Juliana Barbosa

por Juliana Barbosa

juliana.barbosa@bnews.com.br

Publicado em 05/10/2025, às 10h00



O Outubro Rosa é o mês de conscientização sobre o diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero, os dois tipos mais comuns entre mulheres brasileiras. Para além da prevenção, avanços tecnológicos têm ajudado na detecção precoce e no tratamento, oferecendo mais chances de cura e qualidade de vida. A equipe do BNews conversou com duas especialistas para mostrar o que há de novo no combate à doença. 

Câncer de mama: exames e cirurgias menos invasivas 

De acordo com a mastologista Gabriela Gomes, médica do Hospital das Clínicas de Salvador (HUPES) e membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, a mamografia continua sendo o exame mais importante para o rastreamento. “Ela ainda é o único exame que além de detectar precocemente o câncer de mama, reduz a mortalidade em cerca de 25%”, afirma. 

No entanto, outros exames complementares ajudam a refinar o diagnóstico, como a tomossíntese (mamografia 3D), a ressonância magnética das mamas (indicada para mulheres com histórico familiar ou mutação genética) e a ultrassonografia, que auxilia em casos de mamas densas. 

A tecnologia também transformou a leitura das imagens. “Mamógrafos digitais com ajuda da inteligência artificial aumentam a precisão, encontrando focos suspeitos com mais eficácia. Isso favorece a intervenção médica precoce”, explica Gabriela. 

No tratamento, o avanço mais notável está nas cirurgias oncoplásticas, que unem segurança oncológica e reconstrução imediata. “Antigamente as cirurgias eram mutilantes e deixavam sequelas irreversíveis. Hoje conseguimos retirar o tumor e reconstruir a mama no mesmo procedimento, com resultados melhores para a saúde e para a autoestima da paciente”, destaca. 

Para a médica, a prevenção começa com hábitos saudáveis: alimentação equilibrada, prática de exercícios, evitar tabagismo, álcool e uso desnecessário de hormônios. Mas reforça também a importância do rastreamento: “A mamografia anual a partir dos 40 anos aumenta muito as chances de cura caso a doença apareça”. 

Câncer do colo do útero: vacina e novos exames no SUS 

No caso do câncer do colo do útero, a ginecologista Lorena Magalhães destaca que o exame preventivo continua essencial, mas em breve o SUS passará a oferecer a genotipagem para HPV dos subtipos 16 e 18, os mais agressivos. 

A especialista reforça que o maior aliado contra a doença é a vacina contra HPV. “Nenhum preservativo protege totalmente do HPV. A vacina é o método mais efetivo, capaz de impedir que o vírus evolua até causar câncer”, afirma. Atualmente, a vacina oferecida gratuitamente é a quadrivalente, que protege contra quatro subtipos do vírus. Na rede privada, existe a nona valente, ainda mais completa. 

Quando há evolução para lesões de alto grau, procedimentos cirúrgicos menos invasivos permitem tratar antes que o câncer se instale. O mais utilizado é o LEEP (conização de alta frequência), que remove a lesão e uma pequena parte do colo do útero para análise. 

Os exames preventivos devem começar a partir dos 25 anos e se estender até os 60. Lorena alerta ainda para sinais que não devem ser ignorados: “Sangramento durante a relação sexual ou corrimento escuro com odor forte precisam ser investigados”. 

Tecnologia e prevenção lado a lado 

Seja no câncer de mama ou no de colo do útero, as duas especialistas reforçam que a tecnologia trouxe ganhos importantes para diagnóstico e tratamento, mas que a prevenção continua sendo a arma mais poderosa. 

Neste Outubro Rosa, a mensagem é clara: manter hábitos saudáveis, vacinar-se contra o HPV e realizar os exames periódicos são atitudes que podem salvam vidas. 

Classificação Indicativa: Livre

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