Saúde
Publicado em 18/06/2025, às 06h30 Reprodução / Freepik Leonardo Oliveira
O jejum prolongado é divulgado nas redes sociais como um atalho milagroso para a perda de peso, porém esconde riscos que a ciência está começando a revelar. De acordo com um novo estudo que surpreendeu a comunidade científica, ao contrário do que se tinha ideia, a prática pode aumentar a inflamação no corpo e colocar a saúde em risco, especialmente para pessoas que apresentam condições cardíacas.
Os especialistas alertam que essa técnica exige acompanhamento médico rigoroso e não deve ser feita por conta própria.
Perda de peso sim, mas a que custo?
Um estudo recente que acompanhou 20 pessoas em jejum hídrico (apenas com ingestão de água), mostrou que os resultados de emagrecimento foram notáveis: em média, os participantes perderam 7,7% do peso corporal e reduziram a circunferência da cintura em 6%.
No entanto, os benefícios vieram também com uma série de efeitos colaterais preocupantes, como dores de cabeça, insônia e pressão arterial baixa. Os resultados provam que a prática desafia a saúde geral e não oferece apenas vantagens.
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O mito do jejum anti-inflamatório
A maior surpresa da pesquisa, publicada na revista Molecular Metabolism, foi descobrir que o jejum prolongado não atua como um agente anti-inflamatório, um dos benefícios mais propagados por entusiastas da prática. Na verdade, acontece o oposto.
"Nossa hipótese era que o jejum prolongado em água reduziria a inflamação corporal", afirmaram os cientistas. Porém, os exames de sangue mostraram que o corpo, sob o estresse da falta de alimentos, aumenta a produção de proteínas pró-inflamatórias.
De acordo com o professor Luigi Fontana, um dos autores do estudo, essa inflamação gera riscos consideráveis, principalmente para pessoas com problemas cardíacos e vasculares preexistentes. Sem supervisão, a busca pelo bem-estar pode se transformar em uma situação de perigo real.
Uma luz de esperança contra o Alzheimer?
Apesar dos alertas, o estudo trouxe uma descoberta potencialmente positiva: o jejum prolongado reduziu os níveis de proteínas beta-amiloides no corpo, que estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.
Contudo, devido ao pequeno número de participantes, os pesquisadores são cautelosos e enfatizam que são necessárias pesquisas muito mais amplas para confirmar e entender essa promissora ligação.
A regra de ouro: segurança em primeiro lugar
A conclusão da equipe de Fontana é categórica: o acompanhamento médico é indispensável durante qualquer tipo de jejum prolongado. A segurança deve ser sempre a prioridade.
"Mais investigações são necessárias para elucidar as implicações moleculares e clínicas de longo prazo do jejum prolongado em diversas populações", concluem os autores, reforçando que a prática não deve ser vista como uma solução simples e sem riscos para a perda de peso.
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