Saúde
Publicado em 14/06/2024, às 15h08 Ilustrativa/ Pixabay Luana Neiva
O médico especializado em obstetria Olímpio Moraes salientou em entrevista ao UOL, que o avanço do projeto de lei do aborto é um retrocesso que irá custar a vida de muitas grávidas, em especial crianças e adolescentes.
Inscreva-se no canal do BNews no WhatsApp
"Entre essas crianças e meninas adolescentes, a principal causa de morte são justamente as complicações da gravidez. E a segunda é o suicídio devido à depressão, gerado muitas vezes pela situação de vulnerabilidade causada pela violência sexual. Então, o projeto vai condenar essas meninas muitas vezes à morte", pontuou ele.
Se o projeto for aprovado, a proposta equipara o aborto após 20 semanas ao crime de homicídio simples, com punição de seis a 20 anos de cadeia. Inclusive maior que a pena de estupro, de 8 a 15 anos.
"Há crianças que nem sabe o que é a gravidez, nem sabe que estão grávidas; ou que escondem a gravidez ameaçadas porque o algoz é da própria família. Quando a família descobre, a gravidez já está com cinco meses. Procurar ajuda no Brasil para esse abortamento é difícil porque são poucos lugares que oferecem o serviço", continuou Moraes.
O médico ainda afirmou que é uma das preocupações é o risco à vida de mulheres.
"Existem casos em que mulheres apresentam, acima de 20 semanas, uma descompensação cardíaca, ou percebe-se uma gravidez abdominal, uma gravidez ectópica [fora do útero] que é um risco muito grande. E o médico pode ficar com receio de interromper a gravidez, e a mulher pode morrer por causa dessa lei".
Janja detona PL do Aborto: “ataca a dignidade das mulheres e meninas”
Jaques Wagner detona PL que equipara aborto a homicídio: “um escândalo”