Saúde
Publicado em 22/01/2026, às 20h50 Foto / Divulgação Leonardo Oliveira
Uma doença crônica que afeta milhões de mulheres em todo o mundo, mas que é frequentemente confundida com obesidade comum teve um novo e abrangente estudo internacional com participação de médico brasileiro.
O estudo, ligado ao lipedema, chamado de "Unraveling lipedema: comprehensive insights and the path to future discoveries", conta com a co-autoria do médico Fábio Trujilho, endocrinologista e pesquisador do Hospital da Obesidade, em Salvador, e busca desmistificar de que a gordura do lipedema seria totalmente imune a dietas.
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional e doloroso de gordura nos membros inferiores e, por vezes, nos braços, poupando mãos e pés. Por várias décadas, as pacientes ouviram que sua condição era apenas falta de disciplina alimentar.
Agora, a nova pesquisa reforça que se trata de uma patologia com bases genéticas, hormonais e vasculares bem definidas. "Embora o tecido adiposo no lipedema tenha características únicas e seja mais desafiador, o estudo demonstra que intervenções de estilo de vida, como dietas anti-inflamatórias e de baixo carboidrato, aliadas à atividade física, podem sim reduzir o volume de gordura e, principalmente, aliviar a dor", afirma Fábio Trujilho.
Paradoxo metabólico
O estudo destacou um dado surpreendente, no qual mulheres com lipedema tendem a ter uma saúde metabólica melhor do que mulheres com obesidade comum de mesmo peso. Elas apresentam maior sensibilidade à insulina, o que sugere que a gordura do lipedema se comporta de maneira diferente da gordura visceral, que é mais associada a doenças como o diabetes tipo 2.
Tratamento
O médico Fábio Trujilho e o grupo de pesquisadores internacionais defendem uma abordagem multidisciplinar para o tratamento, que inclui um manejo clínico com dietas específicas e controle de peso.
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Além disso, é indicado uma fisioterapia especializada com uso de compressão e drenagem linfática para reduzir o inchaço e atividade física com exercícios aquáticos que aproveitam a pressão da água para auxiliar a circulação. Outro fator é uma intervenção cirúrgica para casos mais graves, com a lipoaspiração técnica (tumescente) como opção, focando na melhora da mobilidade e redução da dor crônica.
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