Saúde
Publicado em 10/10/2025, às 06h00 Divulgação / Freepik Vagner Ferreira
O diagnóstico e o tratamento do câncer de mama representam um desafio na vida da mulher. Muitas delas enfrentam profundas mudanças físicas e emocionais, impactando diretamente na autoestima e na vida sexual. Apesar das transformações no corpo, é possível redescobrir o prazer e a sexualidade, fortalecendo a conexão consigo mesma e com a outra pessoa.
A professora Thaiane de Oliveira Azevedo, por exemplo, é uma das pacientes oncológicas do Hospital da Mulher. “Quando eu recebi o diagnóstico de câncer de mama, eu fiquei muito triste, desesperada. Parecia que eu estava recebendo a sentença de morte”, disse, ao BNews.
Ao longo do diagnóstico, ela ressaltou a importância de manter conversas com profissionais da área para entender as mudanças que iam acontecendo em seu corpo, além de realizar diálogos constantes com o seu parceiro.
“Todo processo de tratamento tem que ser conversado com o parceiro, porque há uma mudança na disposição física e um impacto no psicológico. Então, é compreender que é uma fase que vai passar e que é possível ter uma vida sexual ativa”, ressaltou ela. “O que mais me fazia manter com essa sexualidade ativa era me ver bonita, me ver bem e me sentir mulher”, continuou.
De acordo com o diretor clínico e coordenador de Mastologia, Dr. André Dias, que atende no Hospital da Mulher, manter esse contato com o parceiro é extremamente importante no processo de recuperação e redescoberta.
É essencial escolher um bom momento e um bom ambiente para se expressar de forma clara e honesta. A falta de diálogo é um fator que têm distanciado muitos casais. Nesse contexto, o diálogo no relacionamento é indispensável para a duração e o fortalecimento de qualquer relacionamento. Conversar sobre a vida sexual do casal, a admiração pelo parceiro (a) também são importantes”, pontuou o Dr.
Mudanças no corpo da mulher
As principais mudanças na vida da mulher, segundo o dr., envolve a estética mamária e, às vezes, a mutilação secundária, que são consequências do tratamento cirúrgico, tais como a perda da libido secundária ao uso de algumas medicações durante o tratamento de bloqueio hormonal e a perda de cabelos durante a quimioterapia.
O médico ressaltou que a autoestima influencia também nesta nova fase da vida e na sexualidade durante a recuperação. “A insatisfação com a imagem corporal pode levar a sentimentos de inadequação e vergonha, o que pode suprimir o desejo sexual e inibir o prazer. A autoestima está ligada à forma como as mulheres percebem e se sentem em relação aos seus corpos, desempenhando um papel central na forma como nos relacionamos com os outros, especialmente em contextos íntimos”, disse ele, com exclusividade ao BNews.
“Outro ponto a ser levado em consideração é o fato da mulher se sentir valorizada e apreciada, o que pode aumentar a intimidade e a conexão, enquanto a insegurança pode criar distância e mal-entendidos. Trabalhar para melhorar a autoestima pode ter um impacto profundo na qualidade das experiências sexuais e na satisfação geral com a vida íntima”, continuou o médico.
Thaine, por sua vez, conta que trabalhou para aumentar a autoestima e disse que precisou olhar mais carinhosamente para si mesma. “Quando vieram os tratamentos de quimioterapia, que trouxeram grandes mudanças, tanto para o meu corpo, quanto ao meu psicológico, eu comecei a ver que precisava ser ainda mais mulher. E para isso, passei a cuidar do meu físico, do meu mental, do meu psicológico. Eu acordava e já me maquiava. Para mim, todo dia era um dia de evento, porque antes eu deixava para me arrumar ou me maquiar apenas se tivesse evento, como aniversário ou casamento”, disse ao BNews.
Estratégias médicas e terapêuticas
Dentre as estratégias médicas e terapêuticas, que podem ajudar a mulher a lidar com os efeitos colaterais, o dr. recomenda o uso de hidratantes e lubrificantes vaginais sem hormônios como primeira escolha, exercícios pélvicos para tratamento da dor durante as relações (dispareunia) e relaxamento, e a psicoterapia para lidar com os impactos emocionais. Além disso, sugere a realização de atividade física leve, para melhorar o bem-estar e o encaminhamento para profissionais especializados, como psicólogos, sexólogos e fisioterapeutas pélvicos.
A paciente conclui: “Mulheres, escutem seus médicos, tirem todas as dúvidas, pesquisem e sigam com o tratamento. O câncer não é uma sentença de morte, é um convite para ressignificar a vida, é um convite para se ter amor próprio, é um convite para se priorizar. Então, já que existe essa possibilidade de tratamento, sigam em frente porque vale muito a pena”.
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