Saúde
Publicado em 29/12/2025, às 11h56 Reprodução / Redes Sociais Leonardo Oliveira
Uma síndrome tem colocado em risco os bebês pequenos e recém-nascidos fazendo a pele, os lábios, as unhas ou outras regiões de pele fina ficarem com tonalidade azulada ou arroxeada.
Trata-se da chamada síndrome do bebê azul, que pode acontecer devido à presença de cianose no nascimento ou surgir nas primeiras semanas e meses de vida, geralmente indicando que o sangue está circulando com menos oxigênio do que o necessário. A coloração costuma surgir com mais destaque em áreas como lábios, lóbulos das orelhas e leitos ungueais, locais no qual a pele é mais fina.
Por que isso acontece?
A mudança de cor está ligada a uma falha na oxigenação, que ocorre quando existe um problema no coração, nos pulmões ou no sangue. Normalmente, o sangue sai do coração em direção aos pulmões, recebe oxigênio e retorna ao coração para ser distribuído ao restante do corpo.
Outros sintomas presentes são irritabilidade fora do padrão, respiração rápida ou com esforço, batimentos acelerados, recusa para mamar, baixo ganho de peso, sonolência excessiva e letargia.
A recomendação é procurar atendimento médico de forma imediata se a coloração azulada surgir junto com falta de ar, piora progressiva, dificuldade importante para mamar, moleza ou qualquer episódio em que o bebê pareça “apagar”.
Em bebês muito pequenos, alterações respiratórias e mudança de cor podem evoluir rápido, por isso a avaliação deve ser feita sem demora quando houver dúvida.
Causas da síndrome
As causas da síndrome podem ser congênitas ou ligadas a questões ambientais. Uma parte está ligada a defeitos cardíacos congênitos, como a tetralogia de fallot, que é uma combinação de alterações no coração capazes de reduzir o fluxo de sangue para os pulmões e possibilitar que sangue pobre em oxigênio circule pelo corpo.
Outras modificações também podem estar relacionadas, como truncus arteriosus, quando o bebê nasce com uma artéria única para levar sangue do coração ao corpo, em vez de duas, além de casos em que a válvula pulmonar pode estar ausente.
Existem ainda condições como atresia tricúspide e atresia pulmonar, no qual as válvulas que deveriam direcionar o sangue em um único sentido não funcionam corretamente, limitando o fluxo de sangue oxigenado.
Em alguns bebês, o defeito do canal atrioventricular permite a mistura de sangue oxigenado e desoxigenado, o que pode levar à cianose e a outros problemas.
A hipertensão pulmonar é um dos fatores, sobretudo quando as artérias dos pulmões são poucas, estreitas ou têm alterações que elevam a pressão, o que dificulta o fluxo sanguíneo e a oxigenação.
Em bebês muito pequenos, o sistema digestivo ainda é imaturo e pode transformar nitrato em nitrito com mais facilidade. Esse nitrito, quando entra na circulação, pode modificar o sangue e forma a metemoglobina, um tipo de hemoglobina que carrega oxigênio, mas não consegue entregar corretamente ao corpo.
Dessa forma, mesmo havendo oxigênio, o bebê pode não receber o suficiente nos tecidos, o que deixa a pele com o tom azulado. Isso também pode ser congênito em casos raros.
Os fatores genéticos também podem estar por trás de muitos defeitos no coração que surgem ao nascer, a exemplo de síndromes como a de Down que costumam vir acompanhadas de problemas cardíacos, e doenças da mãe, como diabetes tipo 2 mal controladas, que podem aumentar o risco de alterações no desenvolvimento do bebê.
Se não tratada corretamente, a síndrome do bebê azul pode causar sérias complicações, já que a falta de oxigênio afeta o funcionamento dos órgãos e pode até ser fatal. O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde, por meio de exame físico e testes, conforme o caso.
Tratamento
Exames de sangue, eletrocardiograma, ecocardiograma, radiografia de tórax, cateterismo cardíaco e teste de saturação de oxigênio, entre outros, podem contribuir na identificação do problema. Caso seja uma questão cardíaca, o foco deve ser corrigir e controlar o defeito, através de um acompanhamento especializado e procedimentos específicos.
Caso o problema esteja ligado à metemoglobinemia por nitratos, medicamentos prescritos podem reverter a condição, além de interromper a fonte de exposição.
Quando se trata de causas congênitas, é possível apenas reduzir os riscos externos com medidas práticas, como evitar o uso de água de poço para preparar fórmulas, sobretudo sem análise e controle de qualidade.
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Outro atenção é com a alimentação. É importante ter cuidado com alimentos ricos em nitrato nas fases iniciais, como espinafre, brócolis, beterraba e cenoura. Além disso, durante a gestação, é recomendável evitar drogas ilegais, cigarro e álcool. Também é necessário manter o pré-natal em dia e controlar a diabetes.
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