Entrevista

Waldenor Pereira não acredita em rompimento com PP e prevê aliança de Neto com Bolsonaro em 2022

[Waldenor Pereira não acredita em rompimento com PP e prevê aliança de Neto com Bolsonaro em 2022]
25 de Abril de 2021 às 06:06 Por: Pedro Vilas Boas

O deputado federal baiano Waldenor Pereira (PT), eleito para presidir a Comissão Legislativa Participativa, não acredita na possibilidade do PP trocar a aliança com os petistas na Bahia pelo apoio a ACM Neto. Ele também analisa que o ex-prefeito de Salvador deve se aliar a Bolsonaro durante a disputa ao governo do estado.

Durante a entrevista, - última conversa da série que o BNews promoveu com os parlamentares baianos eleitos para presidir comissões no Congresso - Waldenor também falou sobre a expectativa para ouvir o delegado da Polícia Federal exonerado após pedir investigação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com o deputado Waldenor Pereira (PT): 

BNews: Quais as pautas mais urgentes que a comissão deve discutir?

Waldenor Pereira: Nós dependemos muito das entidades que estão cadastradas na comissão pra definir a pauta de proposições a serem tramitadas no Congresso Nacional. Agora, a comissão também é um palco de debate de discussões sobre os principais problemas que afligem o nosso país.

BNews: Qual expectativa para a audiência com o delegado da PF que foi exonerado após pedir investigação de Ricardo Salles?

Waldenor: Essa audiência pública deverá ser, talvez, o fato de maior destaque na Câmara de deputados na próxima semana. Digo isso porque essa questão ambiental tá na ordem do dia, estamos em meio à realização da Cúpula do Clima, o Brasil está sendo alvo de muitas avaliações no mundo afora, pelo comprovadamente desastroso governo Bolsonaro em relação à preservação da Floresta Amazônica, pantanal, Mata Atlântica. O governo tem incentivado a devastação da nossa fauna e flora.

Por isso, a presença do delegado, sem dúvida nenhuma, tá chamando atenção dos meios de comunicação, principalmente porque o delegado Alexandre aceitou imediatamente o convite, inclusive se predispôs a ir presencialmente, embora não acontecerá por causa dos protocolos da OMS. 

BNews: Mas o que o senhor espera do depoimento dele?

Waldenor: Nossa expectativa é que, de fato, um delegado da PF, responsável, inclusive, pela coordenação da proteção do meio ambiente na Amazônia, ele irá, pelo visto, confirmar que o ministro Ricardo Salles visitou aquela apreensão de madeiras com a clara intenção de liberar madeiras para os fazendeiros que a retiraram ilegalmente. A presença do delegado vai, de fato, confirmar com provas inequívocas que o ministro do Meio Ambiente prevaricou, trabalhou em favor dos fazendeiros. Vai confirmar o que o ministro já havia anunciado naquela fatídica reunião ministerial: vai passar a boiada.

BNews: Como o senhor tem incentivado a participação popular na comissão?

Waldenor: Olha, a Comissão de Legislação Participava tá completando 20 anos de existência, e ela foi criada exatamente com objetivo de fortalecer a democracia representativa que está em crise em todo mundo, especialmente no Brasil. A força do poder econômico cada vez mais influencia nas eleições, faz com que haja uma super representação dos segmentos mais ricos da população brasileira, em detrimento dos mais pobres. Estamos desenvolvendo uma série de estratégias pra incentivar a população. Incentivando através de política de comunicação. A Câmara logo estará veiculando uma campanha institucional explicando os objetivos da comissão. 

BNews: Lula está elegível novamente. O senhor concorda que ele tem que ser o nome do partido em 2022?

Waldenor: Eu sou defensor do nome do companheiro Lula pra se candidatar a presidente, mas acho que tá cedo ainda, as eleições acontecerão no final do ano que vem. O próprio Lula já falou em apresentar um plano de governo pro país, na educação, agricultura familiar, saúde, ciência. Precisamos resgatar, recuperar as políticas públicas, programas sociais que comprovadamente melhoraram a vida dos brasileiros. 

BNews: O surgimento de Lula prejudica outros nomes do partido, né? Rui Costa também estava sendo especulado...

Waldenor: Pois é, felizmente temos grandes nomes, Rui Costa é reconhecido como um dos melhores governadores do Brasil. Temos o nome de Jaques Wagner, Fernando Haddad, que já recebeu 44 milhões de votos. Mas, indiscutivelmente, o nome do Lula, pelo que ele já fez, realizou, de conciliação nacional, de paz,harmonia,progresso, ele se desponta como grande candidato.

BNews: Especula-se que o PP pode migrar para a base de Neto em 2022. Como o senhor avalia essa possibilidade?

Waldenor: Eu acho que não existe essa possibilidade. Essa aliança entre PT, PP, PSD, PSB, dentre outros partidos, se consolidou muito com Wagner e Rui Costa. Hoje há um reconhecimento estadual e nacional como gestões de excelência, e o PP, naturalmente, faz parte. Acho que, dificilmente, o PP abriria mão de uma aliança exitosa do ponto de vista político.

O candidato Neto, neste momento, ele é um amigo do Bolsonaro, embora ele negue essa proximidade, em razão da baixa popularidade, ele se afaste, mas deu provas em várias oportunidades dessa aliança. E sendo o Lula candidato a presidente do Brasil e se estabelecendo essa polarização, não terá outra alternativa, a não ser se aliar ao governo Bolsonaro. Acho muito difícil que se crie uma candidatura de terceira via.

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