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Brasil lidera com 15% da população autodeclarada LGBT+ Global

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Na pesquisa aparecem, países como Espanha (14%), Suíça (13%), Holanda (12%) e Grã-Bretanha (12%)  |   Bnews - Divulgação Arquivo pessoal

Publicado em 24/07/2024, às 16h11   Marcelo Cerqueira @marcelocerqueira.oficial



O Ipsos - Especialista em Pesquisa de Mercado e Opinião Pública- divulgou recentemente uma pesquisa com animadores sobre a população LGBT+ realizada no ano passado. A pesquisa, chamada “Global Advisor - LGBT+ Pride 2023”, foi realizada pela Ipsos em 30 países com 22.514 pessoas, destas 1000 eram brasileiros. O diagnóstico foi realizado entre 17 de fevereiro e 3 de março de 2023, a de conforme o Instituto considerou a margem de erro de 3,5 pontos percentuais para o Brasil.
Esses dados, mesmo que absolutamente novos, constata uma narrativa antiga defendido por ativistas e acadêmicos desde os anos 1990.

Desde a década de 1990, líderes como o professor Luiz Mott têm pressionado pelo reconhecimento e inclusão da população homossexual nos dados oficiais do IBGE. Mott que tem olho treinado de pesquisador premiado argumentava que 10% da população brasileira era homossexual, uma estimativa baseada nos estudos do biólogo americano Alfred Kinsey.

Em 1938, Kinsey estudou a vida sexual de 11 mil americanos e concluiu que aproximadamente 10% da população era homossexual, esse estudo teve o impacto de uma bomba nos Estados Unidos.

Esse percentual tornou-se um ponto de referência para muitos ativistas, consolidando o lema "somos milhões e estamos em todos os lugares". Mott também observava que, devido à diversidade cultural do Brasil, a população LGBT+ no país poderia ser ainda maior.

Ele enfatizava a necessidade de visibilidade e reconhecimento oficial dessa população para a implementação de políticas públicas eficazes e inclusivas.
Segundo a pesquisa da Ipsos, o Brasil lidera entre os países com a maior população autodeclarada LGBT+. Dos mil brasileiros entrevistados, 15% se identificaram como LGBT+, um número significativo e maior que media mundial 9%.

Na pesquisa aparecem, países como Espanha (14%), Suíça (13%), Holanda (12%) e Grã-Bretanha (12%) que somaram altas taxas de autodeclaração LGBT+. Em contrapartida, Coreia do Sul (7%), Irlanda (6%), Polônia (6%), Japão (6%) e Peru (4%) aparecem pontuando como os últimos colocados.

O Instituto constatou que um fator que contribui para esses números expressivos no Brasil é a Geração Z, formada por nascidos entre o final da década de 1990 e 2010. Entre os brasileiros dessa geração, 32,8% se identificam com alguma orientação sexual ou identidade de gênero que não a hegemônica e binaria.

Entre os entrevistados do país, 7% se declararam bissexuais, 5% se identificaram como lésbicas, gays ou homossexuais, 1% se declararam pansexuais ou onissexuais e 1% se declararam assexuais.

Esses dados são estimuladores para o respeito e inclusão que apesar dos avanços, ainda há muito que lutar para garantir a plena inserção da população LGBT+ no Brasil. Para melhorar essa situação, o IBGE precisa desenvolver estratégias específicas para contar essa população de forma mais precisa. Isso pode incluir parcerias com organizações da sociedade civil (OSC) LGBT+ e a contratação de recenseadores LGBT+ em cidades menores, facilitando o acesso e a confiança durante o processo de coleta de dados.

Classificação Indicativa: Livre

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