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É mentira

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Bnews - Divulgação Arquivo pessoal

Publicado em 10/06/2024, às 20h59   José Medrado



Há uma obsessão institucionalizada no Brasil, que propaga que somos um povo pacifista. De forma alguma somos. Essa imagem tem gerado cortinas de fumaça sobre efetivamente como andam, e de há muito, os ânimos patrícios diante de tudo. O professor e escritor Sandro Gomes lança luzes sobre este mito de pacifismo, afirmando que nada mais é do que a construção de histórias que foram contadas erradamente, como “...o genocídio de indígenas, afrodescendentes e pobres de um modo geral que ocorreram e ainda ocorrem no Brasil...outros episódios de rara barbárie e crueldade, perpetrados principalmente a partir de deliberações de nossas forças, como foram a Guerra do Paraguai (onde as tropas nacionais mostraram incrível disposição para o extermínio cruel) ou os nossos conflitos domésticos, como Canudos, Palmares e Contestado, só para citar alguns.”, relembra o estudioso. Reporto-me a esses fatos, para falar que o solo brasileiro ficou bem sedimentado para o crescimento de grupos ligados a ideologias de raízes nazistas, como os “red pills” e o masculinistas. Esses grupos não têm nada a ver em contrapontos ao feminismo, nem de longe. É uma cultura de repulsa e extremos ódios às mulheres, culpando-as de vitimismo, considerando, segundo esses fanáticos, que elas usam da mentira para se vitimizarem.

Semana passada, a ativista Maria da Penha Maia Fernandes, que deu nome à Lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, foi ameaçada por esses grupos de extrema direita.  Há dezoito anos essa lei, que foi considerada pela ONU – Organização das Nações Unidas, como uma das três leis mais avançadas do mundo no enfrentamento à violência doméstica. Infelizmente, a farmacêutica que foi vítima de violência doméstica, vindo a ficar paraplégica, passará a receber segurança particular do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH), pois as ameaças estão escalando a patamares perigosos afirma o Governo do Ceará onde a ativista reside.

Já passou da hora do Brasil começar a ver com acuidade os seus princípios legais, sem essa mentira de pacifismo, nem mesmo o tal pensamento de que “há leis que não pegam”. O Brasil é pioneiro, por exemplo, em morte de pessoas LGBTQIA+, e não me recordo de condenações exemplares desses homicidas. A intolerância religiosa só cresce. O racismo está aí nos noticiários. Não podemos mais naturalizar forma alguma de violência. Acredito que colocar uma cortina de fumaça de pacifismo só evidencia a falta de conhecimento dos processos sociais, humanos que vem maculando a realidade da nossa história. As ruas não estão cheias de pacifistas, haja vista o que vemos o tempo todo nos noticiários.

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