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Oxe! Aonde que Salvador é a capital com menos Lgbt do País?

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Publicado em 26/05/2022, às 08h57    Divulgação    Marcelo Cerqueira

Uma Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria transversal com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, de 2019, sobre orientação sexual, lançada sexta-feira, 25/5, apontou que Salvador é a capital do país com menor número número de LGBT+, sendo 1,5%,  em números 35 mil pessoas. E como a gente fala aqui na terra de Daniela Mercury: "Aonde" esses dados representam a realidade dessa terra brejeira, de gente bonita?


Como Jack, o Estripador, vamos por partes. O Ministério da Saúde não é o IBGE, e a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) não é o Censo Demográfico, mesmo que sejam semelhantes em aspectos.


A  APNS coleta dados relativos às condições de saúde da população, tendo como questão principal o acesso, e também, quanto ao uso dos serviços de saúde, questões como o cuidado.

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Talvez sim, ou não, esses dados analisados possam revelar uma fotografia, especialmente de quem usa ou não, o sistema de saúde, considerando a população a partir de 18 anos, e mesmo que a intenção do MS sela louvável, a reposta pode ser muito fluida. 


O Censo Demográfico, realizado pelo IBGE,  é muito diferente. Representa a contagem dos habitantes, procura identificar suas características e particularidades, para com isso, servir para orientar políticas públicas. 


Há muito tempo que o movimento social LGBT pede ao IBGE que insira perguntas sobre as variáveis de orientação sexual e identidade de gênero para assim, poder ter uma fotografia da população LGBT do Brasil. 


Talvez seja possível que as respostas não sejam sinceras, por isso o IBGE deve fazer constar, no Censo Dográfico esses dias, variáveis, bem como fazer campanha nacional, explicando e encorajando a resposta verdadeira. A LGBTfobia estrutural e familiar ainda é muito expressiva na sociedade ainda hoje. 

A população LGBT de Salvador é muito maior do que isso. Salvador é conhecida como a terra da felicidade, destino de turistas LGBT do mundo inteiro, proporciona o melhor Carnaval inclusivo do Brasil, tem uma política pública especial para a inclusão desta população.


É a cidade da primeira travesti, Chica Manicongo, e da lésbica Felipa de Souza, denunciadas a Inquisição Portuguesa, de acordo com estudos do professor Luiz Mott, fundador do Grupo Gay da Bahia. Ainda conforme Mott, foi Thomé de Souza, o primeiro governador gay da Bahia. 


A cidade possui a maior Parada do Orgulho LGBT da região, e ainda mais de 30 Paradas de bairros. Um fenômeno nacional. Oxe! Salvador é gay, que eu sei!


Marcelo Cerqueira é professor, ativista LGBT, Diretor do GGB

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